Uma empresa que vende basicamente argila moída para absorver dejeto de animal acaba de atingir a maior cotação de sua história na bolsa americana. Setenta e oito dólares por ação. Oil-Dri, fundada em 1941, sobrevivente de oito recessões, duas guerras, uma pandemia e da era Biden, agora paga dividendo trimestral consecutivo há mais de oitenta trimestres seguidos. Quer dizer, enquanto o investidor brasileiro reza para a Petrobras não ser saqueada no próximo decreto, o americano comum embolsa lucro real comprando ações de uma empresa de areia para gato. Pense nisso por um segundo.
O que faz uma companhia chata, previsível, sem narrativa de inteligência artificial, sem promessa messiânica de revolucionar nada, virar máquina de gerar riqueza para o acionista? Resposta inconveniente para a turma do planejamento central: liberdade econômica suficiente para que um empreendedor enxergue demanda real, ajuste preço sem pedir licença para burocrata, contrate sem precisar de quinze certidões negativas, e produza onde for mais barato produzir. O mercado descobriu, sem precisar de plano quinquenal, que dono de gato compra granulado todo mês. Ninguém precisou de uma secretaria federal de inclusão felina para chegar a essa conclusão.
Olha, o ponto não é a areia de gato. O ponto é o ecossistema que permite que um negócio assim prospere por oitenta e quatro anos sem ser asfixiado. Nos Estados Unidos, apesar de todo o intervencionismo crescente, ainda sobra oxigênio para o empreendedor médio operar. Aqui, o sujeito que tenta abrir uma fábrica de granulado precisa de licença ambiental estadual, alvará municipal, anuência de três conselhos profissionais, registro em órgão sanitário, certificação de origem da matéria-prima, e ainda corre o risco de algum deputado decidir que areia de gato é item essencial e tabelar o preço na véspera da eleição.
Siga o dinheiro e a coisa fica mais cristalina. Quem compra ação da Oil-Dri lá fora não está apostando em hype, está comprando fluxo de caixa real, gerado por gente que troca produto por dinheiro voluntariamente, sem coerção, sem subsídio, sem mamata. O retorno do acionista vem do consumidor satisfeito, não do contribuinte espoliado. Compare com a lógica nacional, onde campeão nacional virou sinônimo de empresa que recebe BNDES barato, ganha edital direcionado, e quando quebra ainda chora pedindo socorro com dinheiro de quem nunca pisou no escritório dela. Não é capitalismo, é parasitismo de gravata.
Há uma lição civilizacional escondida nessa máxima histórica. As sociedades que prosperam de verdade são aquelas que permitem que o trivial floresça. Areia de gato, parafuso, prego, sabão, parafina. Coisas tediosas que enriquecem milhões silenciosamente. As sociedades que estagnam são aquelas obcecadas em criar do zero o futuro luminoso, sempre prometido para depois da próxima reforma, da próxima eleição, do próximo pacote. Enquanto a turma de cá discute se o Estado deve produzir vacina, fertilizante e semicondutor ao mesmo tempo, lá fora um cara que vende argila para xixi de gato bate recorde em Wall Street.
O capital flui para onde é tratado com respeito, e foge de onde é tratado como inimigo de classe. Não tem mistério, não tem conspiração, não tem mão oculta de banqueiro internacional. É a coisa mais óbvia do mundo, e justamente por ser óbvia é que ninguém em Brasília quer enxergar. A bolsa americana sobe na areia de gato. A nossa sobe na expectativa de o ministro da Fazenda não falar besteira na próxima entrevista. Cada povo tem o mercado que merece.
Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.