A ação da Ryman Hospitality cravou US$ 116,90, máxima de 52 semanas, e a notícia passou batida no Brasil porque não cabe na liturgia oficial. Não houve pacote de estímulo, não houve "marco regulatório do turismo", não houve ministro cortando fita ao lado de empresário sorridente. Houve apenas uma empresa americana de hotelaria temática, ancorada em Nashville, fazendo aquilo que mercado livre faz desde que o mundo é mundo, identificar um desejo do consumidor e cobrar por ele um preço que o sujeito paga sorrindo. Resort gigante, country music, convenção corporativa, jantar caro, fim de semana com a família, tudo embrulhado em experiência. O cliente vai, gasta, volta. A ação sobe. Fim do mistério.
Repare na coisa que ninguém comenta. A hotelaria americana de alto padrão não está em máxima histórica porque o Federal Reserve baixou juros, não está porque algum congressista aprovou subsídio setorial, não está porque a Casa Branca decretou "ano do turismo doméstico". Está porque, mesmo com juros longos ainda apertando o crédito, mesmo com a inflação corroendo o bolso da classe média, mesmo com toda a parafernália de incerteza que os burocratas adoram citar para justificar a próxima intervenção, existe gente disposta a pagar pelo que enxerga como valor. Valor não é o que custou produzir. Valor é o que o sujeito, livremente, decide trocar por aquilo. Quem entende isso ganha dinheiro. Quem não entende vira secretário de planejamento.
E aqui mora a parte que arde no Brasil. Enquanto o capital privado lá fora aloca recursos onde o consumidor sinaliza demanda, aqui se discute, com a cara mais lavada do mundo, "política nacional de incentivo ao turismo", "fundo de garantia para a hotelaria", "linha do BNDES para hospedagem", "redução temporária de tributos para o setor". Traduza, sempre se traduz, sempre se segue o dinheiro. Significa tomar do contribuinte que nunca pisou num resort para dar ao empresário amigo do ministro que vai construir um. Significa escolher vencedores em gabinete, não em balcão. Significa transformar mercado em loteria política. E quando o hotel quebra, porque vai quebrar, a conta do prejuízo sobra para quem? Para o mesmo contribuinte. O lucro é privado, o tombo é coletivizado. Conhece o esquema.
O preço de uma ação em máxima de 52 semanas é um sinal, e sinal de preço é informação que nenhum economista de Brasília, por mais doutor que seja, consegue produzir do escritório. Aquele US$ 116,90 está dizendo, em alto e bom som, que milhões de pessoas, cada uma com sua cabeça, sua carteira, seu critério próprio, calcularam que aquela empresa vale mais hoje do que valia ontem. Nenhum planilhão central conseguiria chegar a esse número. Nenhum comitê chegaria. É o tipo de inteligência distribuída que só o mercado livre coordena, e que toda intervenção atrapalha. Quando o governo entra para "ajudar", o que ele faz é embaralhar os sinais, premiar o ineficiente, punir o eficiente, e depois cobrar palestra por ter criado a confusão.
Tem ainda o detalhe que o brasileiro médio não percebe porque o noticiário econômico daqui é dominado por gente que confunde Banco Central com fada madrinha. Hotelaria é um dos setores mais sensíveis a juros, a expectativa, a renda discricionária. Subir nesse cenário não é pouca coisa. Significa que a empresa tem produto, tem marca, tem execução, tem disciplina de capital. Não vive de favor. Vive de cliente. E cliente, ao contrário de político, não dá segunda chance se o serviço for ruim. Por isso o capitalismo verdadeiro, esse que não tem padrinho no Planalto, é mais democrático que qualquer urna, ele é votado todo dia, em cada compra, em cada reserva, em cada cancelamento.
A lição, que ninguém vai dar no telejornal das oito, é simples e antiga. Quando se deixa o empresário trabalhar, o cliente escolher e o preço falar, a economia se organiza sozinha. Quando se coloca burocrata no meio, a confusão se organiza sozinha. Ryman sobe porque acertou o consumidor, não porque adivinhou o ministro. É essa a diferença entre país que cria riqueza e país que terceiriza prosperidade para gabinete. Enquanto não entendermos isso, vamos continuar achando que o problema do turismo brasileiro se resolve com decreto, e não com hotel que o hóspede tenha vontade de voltar.
Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.