Os papéis da American Public Education fecharam em US$ 61,10, máxima histórica, e a notícia passou quase despercebida num mercado acostumado a celebrar unicórnios de inteligência artificial. Pois deveria ter parado tudo. Estamos falando de uma empresa que vende educação superior a distância para militares, veteranos e trabalhadores adultos, num país onde o debate sobre ensino já saiu do nível infantilizado em que o nosso continua atolado. O investidor que aposta nessa ação não está comprando tijolo nem diploma de fachada; está comprando um arranjo em que o aluno paga, escolhe, consome e avalia, e a empresa sobrevive ou morre pela qualidade daquilo que entrega.
Olha, é impossível não comparar. Enquanto nos Estados Unidos uma companhia de educação privada atinge valor recorde oferecendo cursos online para adultos que trabalham, aqui a conversa ainda gira em torno de quantos bilhões o Fundeb vai engolir no próximo orçamento, quantos institutos federais precisam ser inaugurados com corte de fita e banda militar, e quantas universidades precisam de socorro de emergência porque gastaram tudo com folha inchada antes de chegar agosto. Uma sociedade produz ativo que se valoriza porque entrega resultado. A outra produz passivo que se multiplica porque entrega discurso.
E me diz uma coisa, quem é o dono dessa festa americana? Não é nenhum ministro iluminado, nenhum secretário de educação com pós-doutorado em pedagogia progressista, nenhum sindicato de professores fazendo greve a cada semestre. São acionistas anônimos, pulverizados, que leem balanço trimestral e exigem margem. O mercado, esse senhor impiedoso que o intelectual de esquerda adora caricaturar como vilão de desenho animado, é o único que obriga o fornecedor a entregar aquilo que promete, porque do contrário o cliente migra, a ação despenca e o CEO é defenestrado antes do café da tarde.
Há uma lição óbvia escondida aqui, dessas que a gente para de enxergar de tanto repetirem o contrário. Educação não é um bem sagrado que precisa ser protegido do vulgar cálculo econômico; é exatamente por ser tão importante que ela não pode ser entregue ao monopólio de uma burocracia que nunca é demitida, nunca quebra e nunca presta contas. Cada vez que o Estado jura que vai consertar a escola com mais dinheiro, mais conselho, mais cota, mais plano decenal, o que ele está dizendo, traduzido, é que vai pegar mais do seu salário para financiar o emprego vitalício de quem fracassou na última tentativa. E você aplaude, porque disseram que é pelo bem das crianças.
A contabilidade do que não se vê é cruel. Cada real tributado para sustentar universidade federal deficitária é um real que não foi para a escola técnica privada que o filho do pedreiro poderia pagar do próprio bolso se não estivesse sendo sangrado por trinta por cento da cesta básica em tributo indireto. O investidor americano que comprou a ação a US$ 61,10 não está celebrando ganância; está sinalizando, com o próprio patrimônio em risco, que existe demanda real por educação séria feita por quem tem pele no jogo. Entre os dois modelos, um capitaliza, o outro se descapitaliza. Um gera riqueza, o outro gera relatório de comissão parlamentar de inquérito.
Quer dizer, o recorde na bolsa de Nova York é apenas a ponta visível de uma verdade que o nosso establishment pedagógico gastou décadas tentando enterrar sob toneladas de jargão progressista: quando o cliente paga, o serviço melhora; quando o contribuinte paga compulsoriamente, o serviço apodrece com ar-condicionado novo e placa de inauguração. O gráfico fala por si. E o gráfico, diferente do ministro, não mente na audiência pública.
Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.