A CSX, gigante ferroviária americana, viu suas ações saltarem 6% num único pregão depois de anunciar lucro no primeiro trimestre puxado por ganhos de eficiência operacional. Traduzindo do economês para o português: a empresa parou de gastar mal, apertou processos, enxugou custos que não agregavam valor, e o mercado reagiu em tempo real premiando a disciplina. Seis por cento num dia é o veredito de milhões de investidores votando com o próprio bolso, cada um com informação fragmentada que nenhuma planilha central jamais conseguiria agregar. É o sistema de preços fazendo aquilo que o sistema de preços faz desde sempre, quando deixam ele trabalhar.
Agora olha, me diz uma coisa. Quando foi a última vez que uma estatal brasileira subiu 6% por cortar desperdício? A pergunta é retórica, claro, porque a resposta é nunca. Estatal não corta desperdício, estatal pede aporte. Estatal não demite excedente, estatal cria cargo comissionado. Estatal não compete, estatal regula a concorrência para sumir com ela. E quando a conta não fecha, vem o contribuinte, esse personagem mudo da tragicomédia fiscal brasileira, pagar a fatura de decisões que não tomou, benefícios que não recebeu e sindicalismo que não contratou.
A diferença fundamental entre a CSX e qualquer Companhia Docas da vida é a mesma diferença que separa uma padaria de esquina de um restaurante universitário subsidiado. Na padaria, se o pão queimar três dias seguidos, o dono quebra. No restaurante subsidiado, se o arroz vier cru por três anos seguidos, ninguém perde o emprego, porque não existe dono, existe gestor, e gestor de dinheiro alheio tem a pele de outro em jogo. O lucro privado disciplina, o subsídio público corrompe, e essa equação não tem volta enquanto se insistir que o Estado é melhor administrador que o sujeito que arrisca o próprio patrimônio.
Vale seguir a trilha do dinheiro nesse caso americano, porque ela ensina. A CSX opera num setor brutalmente regulado, com sindicatos ferroviários historicamente pesados, tarifas escrutinadas e rotas politicamente sensíveis. Mesmo assim, dentro desse corredor apertado, encontrou margem para melhorar produtividade e foi recompensada na hora. Imagina se o setor fosse realmente livre. Imagina se não houvesse os herdeiros de um século de intervencionismo ferroviário desde a era progressista de Roosevelt. A eficiência que aparece hoje é a que conseguiu escapar; a que não vemos é a que foi abortada por décadas de regulamentação bem-intencionada.
E aqui mora a lição que o colunista econômico médio, aquele que escreve para o Valor com o olhar bovino de quem acredita em banco central como se acredita em santo padroeiro, não consegue enxergar. O lucro da CSX não é ganância, não é exploração, não é mais-valia extraída de proletário ferroviário. É informação. É sinal de que recursos escassos estão sendo usados com menos desperdício do que antes. É o contrário exato da inflação fabricada em Brasília, que é sinal de que alguém está imprimindo promessa e empurrando a conta para frente. Um cria riqueza, o outro dilui poupança. Um informa, o outro engana.
Enquanto a CSX sobe 6% cortando gordura, o Brasil discute se aumenta a CIDE, se cria nova contribuição para o fundo tal, se desonera setor aqui para onerar setor ali, nesse moto-contínuo de remendar cobertor curto que chamam de política econômica. A empresa americana mostrou em um trimestre o que estatal brasileira não mostra em uma década: que eficiência não é slogan de campanha, é prática diária, medida em centavo economizado, quilômetro otimizado e hora de trabalho bem empregada. O resto é conversa para boi dormir e para economista de governo publicar paper.
Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.