As ações da Kodiak Gas Services fecharam a US$ 69,07, recorde absoluto desde a abertura de capital. Não é uma startup de inteligência artificial, não é uma fabricante de chips, não é nenhuma fantasia futurista vendida em conferência de Davos. É uma empresa que aluga compressores para empurrar gás natural através de dutos no Texas, em Oklahoma, no Novo México. Trabalho sujo, mecânico, fundamental. E é justamente esse tipo de negócio, o que os iluminados das capitais financeiras juraram estar condenado, que está pagando os melhores retornos da temporada.
Convém parar um instante e perguntar quem está comprando essas ações no topo histórico. Não são os fundos ESG que assinaram cartas de compromisso climático com letras douradas. São os fundos de pensão, os family offices, os gestores que precisam entregar resultado real para clientes reais que querem aposentar com dinheiro real. Enquanto a narrativa oficial despeja bilhões em subsídios para painéis solares fabricados por mão de obra escrava em Xinjiang, o capital privado, aquele que arrisca a própria pele, vota com a carteira na infraestrutura que efetivamente mantém a luz acesa.
O fenômeno tem explicação singela, embora desconfortável para quem vive de ilusão. A demanda por gás natural não caiu, cresceu. Os data centers que treinam os modelos de inteligência artificial consomem energia em quantidades industriais, e essa energia precisa ser despachável, confiável, vinte e quatro horas por dia. Vento que para e sol que se põe não treinam modelo nenhum. Quem entende disso já entendeu há muito tempo, só não diz em público porque não quer ser cancelado no LinkedIn. A Kodiak entrega o oxigênio invisível dessa economia, e o preço da ação é apenas o termômetro silencioso da hipocrisia coletiva.
Olha, sempre que um governo decreta que determinada indústria está obsoleta, vale a pena fazer o exercício inverso e perguntar quem ganha com o decreto. Subsídio para tecnologia A significa imposto para tecnologia B, e quem paga o imposto somos todos nós, no preço da gasolina, no preço do quilo de carne, na conta de luz que vem inflada de tributos esquisitos com nomes de letrinhas. O que se vê é o painel solar reluzente cortando a fita da inauguração com prefeito sorridente. O que não se vê é a indústria de base que continua girando o mundo enquanto os holofotes apontam para outro lado.
O recorde da Kodiak é mais do que um número de bolsa, é um veredicto. O mercado, esse mecanismo descentralizado que agrega o conhecimento de milhões de pessoas que jamais se conhecerão, está dizendo em voz alta o que os relatórios oficiais sussurram com vergonha: a transição energética prometida é uma fantasia financiada com dinheiro alheio, e enquanto durar a fantasia, quem produz a coisa de verdade vai continuar enriquecendo. Os planejadores podem fingir que governam o futuro com canetadas, mas o futuro é construído por quem move moléculas, e moléculas não pedem licença ao Ministério.
Quando a próxima crise energética chegar, e ela chegará, porque sempre chega, vão culpar especuladores, vão culpar empresas, vão culpar o clima, vão culpar Putin, vão culpar tudo menos a si mesmos. Mas o gráfico da Kodiak já avisou, em silêncio, em dólares, em máxima histórica. Quem tinha ouvidos, ouviu. Quem preferiu o aplauso da plateia certa, vai pagar a conta com juros.
Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.