A Ringcentral fechou o pregão tocando US$ 42,42, pico de 52 semanas, e a notícia poderia passar batida se não carregasse nas costas uma lição que os planejadores centrais insistem em não aprender. O papel não subiu porque um comitê decidiu que ele merecia subir. Não subiu porque algum ministério da comunicação decretou que tecnologia de comunicação unificada é setor estratégico. Subiu porque milhões de escolhas individuais, dispersas pelo planeta, convergiram no mesmo juízo: esta empresa está entregando algo que as pessoas querem comprar pelo preço que estão dispostas a pagar. Isso é tudo. E isso é tudo porque isso é, literalmente, tudo o que importa.
Repare no detalhe que os jornais econômicos nunca destacam. Ninguém precisou perguntar ao Tesouro americano qual seria o preço justo da ação. Ninguém montou audiência pública para discutir se US$ 42,42 era social ou antissocialmente adequado. Ninguém criou comissão interministerial para avaliar se a valorização estaria gerando desigualdade entre acionistas e não acionistas. O preço emergiu, como sempre emergiu quando o deixam emergir, da soma silenciosa de informações que nenhuma cabeça isolada é capaz de processar. Cada comprador trouxe seu pedaço de conhecimento; cada vendedor trouxe o dele; e do encontro saiu um número que é, no fundo, o juízo agregado da humanidade sobre aquele ativo naquele instante.
Aqui, claro, é onde mora o escândalo que poucos ousam nomear. Enquanto o mercado de capitais americano demonstra todo santo dia que sistema de preços livres é a coisa mais sofisticada que a civilização já produziu, temos burocrata brasileiro convicto de que consegue determinar o preço da gasolina, da energia, do aluguel, do juro, do câmbio e, se deixarem, do ar. O mesmo sujeito que não acertou nem a inflação do ano passado acha que vai acertar o valor justo de um barril de petróleo em 2028. A pretensão é tão colossal que chega a ser engraçada, se não fosse trágica para o contribuinte que paga a conta da ilusão.
E siga a trilha do dinheiro, sempre. Quando a Ringcentral valoriza, ganha o fundo de pensão do professor aposentado de Ohio, ganha o pequeno investidor que comprou dez ações, ganha o funcionário que tem stock options, ganha o fornecedor que vê a cadeia inteira ficar mais robusta. Ninguém foi tributado para isso acontecer. Ninguém foi expropriado. Ninguém teve que rezar para algum conselho de notáveis aprovar a alta. O ganho de uns não veio do bolso de outros por decreto, veio da criação genuína de valor que o concorrente não soube oferecer. Compare isso com qualquer programa estatal de estímulo e verá que um produz riqueza enquanto o outro apenas remaneja pobreza com carimbo oficial.
Tem gente que vai ler a manchete e resmungar que é só mais um número na bolsa, mais uma empresa de software, mais uma manchete irrelevante para quem vive do salário mínimo. Engano cômodo. O que aquele número a US$ 42,42 comunica, para quem tem olhos, é que existe um sistema funcionando em algum lugar do mundo onde o mérito ainda é recompensado, onde a escolha individual ainda importa, onde o preço ainda diz a verdade sobre o que as pessoas de fato valorizam. Quanto mais afastada uma economia estiver desse sistema, mais pobre ela será, por mais programas sociais que invente para disfarçar a penúria que ela mesma produziu.
A bolsa americana subindo não é notícia de rico para rico. É lembrete civilizacional de que liberdade econômica e prosperidade andam de mãos dadas, e que toda vez que um país resolve substituir o julgamento de milhões pelo palpite de meia dúzia de iluminados, o resultado é invariavelmente o mesmo: fila, escassez, inflação e discurso oficial explicando que a culpa é do clima, do dólar, da especulação ou do vizinho. A Ringcentral a US$ 42,42 é pequeno monumento silencioso a uma verdade que custa caro esquecer.
Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.