Sete mortos e vinte feridos. Esse é o saldo, até agora, do mais recente atentado a bomba na Colômbia, atribuído pelas próprias autoridades colombianas aos dissidentes das FARC, aquela mesma guerrilha que, segundo a propaganda mundial, teria sido pacificada em 2016 com um acordo solene, premiado com Nobel da Paz e celebrado por toda a imprensa que se considera séria. Olha o resultado da paz pactuada com terroristas: cadáveres na rua, famílias destruídas e um governo de esquerda em Bogotá que pisca os olhos para o problema porque foi eleito pelos herdeiros ideológicos dos próprios assassinos.

Quem acompanhou a história da América Latina nos últimos sessenta anos sabe que guerrilha marxista não se desarma, se reorganiza. Trocam o fuzil pelo microfone, depois voltam ao fuzil quando o microfone não basta. Foi assim em Cuba, foi assim na Nicarágua, foi assim na Venezuela, e está sendo assim na Colômbia. O acordo de paz com as FARC não desmontou a estrutura, apenas legalizou parte dela e empurrou o resto para o mato, onde continuou financiando-se com cocaína, sequestro e extorsão. O Estado colombiano fingiu que acreditou, a ONU aplaudiu, e o cidadão comum continuou pagando o preço.

E o preço, convém lembrar, nunca cai sobre quem assina os tratados em hotéis cinco estrelas em Havana. Cai sobre o camponês que perde o filho, sobre o comerciante que vê o ponto explodir, sobre o policial recrutado em cidade pobre para morrer protegendo uma capital que despreza o sertão. A elite que negocia com terrorismo nunca é a elite que enterra os mortos. Esse é o detalhe que ninguém quer ver: o pacifismo dos gabinetes é financiado pelo sangue dos que nunca foram consultados.

Siga o dinheiro e a coisa fica ainda mais clara. As dissidências das FARC controlam rotas de cocaína que abastecem Europa e Estados Unidos, recebem apoio logístico de regimes vizinhos que fingem ser repúblicas, e contam com a tolerância de ONGs internacionais que classificam atentado terrorista como "expressão legítima de inconformismo social". Cada bomba que explode em Cali ou em Cauca tem um circuito financeiro que passa por bancos respeitáveis, por intermediários respeitáveis e por governos respeitáveis. Nada é improvisado, tudo é arquitetura.

O caso colombiano deveria servir de aviso ao Brasil, mas não serve, porque a classe política brasileira é treinada para não aprender com o vizinho. Aqui também temos um governo que faz vista grossa para movimentos armados travestidos de causa, que distribui anistia preventiva para quem invade propriedade, que chama de luta social o que em qualquer país sério se chama de crime organizado. A diferença entre Bogotá e Brasília é apenas cronológica. Eles começaram antes, nós vamos chegar lá.

Enquanto isso, o discurso oficial continuará tratando o terrorista como vítima, o assassino como militante e o morto como dano colateral de um processo histórico inevitável. É o velho truque de transformar barbárie em narrativa, de embalar crime em retórica e de cobrar do contribuinte a conta do desastre. Sete famílias colombianas acabam de descobrir, do pior jeito possível, que paz assinada com guerrilheiro não é paz, é prazo.

Com informações da InfoMoney. A análise e opinião são do O Algoz.