A Ball Corporation, gigante americana das embalagens metálicas, voltou ao radar dos analistas de Wall Street com revisões positivas e foco renovado em algo que soa quase exótico nestes tempos de planilha inflada: controle de custos. Casas de análise destacam o programa de eficiência operacional, a desalavancagem do balanço e a recompra agressiva de ações como motivos para colocar a empresa na lista de favoritas do setor. Em outras palavras, a companhia fez aquilo que qualquer dona de casa faz quando o orçamento aperta, e o mercado, que não é bobo, percebeu.
Olha, é interessante observar a reação. Não houve mágica, não houve subsídio bilionário, não houve linha de crédito do BNDES com juros camaradas pagos pelo contribuinte de Belém. Houve corte. Houve venda de ativos que não geravam retorno adequado. Houve a decisão impopular, mas adulta, de admitir que nem toda fábrica precisa existir, nem todo contrato precisa ser renovado, nem todo funcionário improdutivo precisa permanecer no quadro só porque o organograma ficou bonito no relatório anual. É o capitalismo funcionando como sempre funcionou quando o deixam funcionar: alocando recursos para onde eles rendem mais, e retirando-os de onde rendem menos.
Quer dizer, compare por um instante com a lógica que governa o setor público brasileiro. Quando uma estatal queima caixa, a resposta é aporte. Quando um ministério gasta mal, a resposta é orçamento maior no ano seguinte. Quando um programa social não funciona, a resposta é expandir. A palavra corte virou heresia, pronunciada com a mesma cara de nojo que se reserva a palavrão de banheiro de rodoviária. E o resultado todos conhecem: dívida pública batendo recorde, juros real entre os mais altos do planeta, e o cidadão pagando a conta de uma máquina que se recusa a fazer o que a Ball acaba de fazer sem drama.
Siga o dinheiro e a história fica ainda mais clara. Cada dólar que a Ball deixou de gastar em operação ineficiente voltou ao acionista via recompra ou foi usado para abater dívida, fortalecendo o balanço e baixando o custo de capital futuro. É o oposto matemático do que acontece quando o Estado decide "investir": cada real arrancado do produtor via imposto é torrado em estrutura que não produz retorno, alimentando a casta de intermediários, consultores, sindicatos amigos e fornecedores escolhidos a dedo. Um ciclo gera valor para quem arriscou e produziu; o outro gera privilégio para quem se acomodou ao lado da burra.
Há ainda um detalhe que merece atenção, porque os apóstolos da intervenção adoram fingir que não veem. A Ball opera num mercado global ferozmente competitivo, com margens apertadas, concorrência asiática implacável e clientes gigantes como Coca-Cola e AB InBev que negociam centavo por centavo. Não existe protecionismo confortável, não existe reserva de mercado, não existe lei garantindo cliente cativo. É a disciplina do livre mercado, aquela mesma que os economistas de gabinete chamam de "selvagem" quando estão pedindo barreira tarifária para o amigo industrial que financiou a campanha. A Ball sobrevive e prospera porque foi obrigada a ser eficiente; a indústria brasileira de embalagem reclama de competitividade porque foi ensinada a depender do governo.
A moral, se é que ainda se pode usar essa palavra sem soar antiquado, é constrangedoramente simples. Quem corta custo cresce. Quem produz valor recebe capital. Quem desperdiça recursos quebra, e fazer bem em quebrar, porque libera esses recursos para quem sabe usá-los. É a regra mais antiga da economia, e a única que funciona em qualquer lugar, em qualquer época, sob qualquer bandeira. O resto é literatura para justificar quem vive do bolso alheio.
Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.