O Barclays elevou o preço-alvo da Diamondback Energy depois que a produtora americana de xisto entregou números de produção que envergonharam as projeções dos analistas. A companhia, plantada na Bacia do Permiano texano, bombeou mais barris do que o consenso esperava, com custos sob controle e geração de caixa que faria corar qualquer tesoureiro de banco central. O mercado, que finge acreditar nas profecias de transição energética servidas em conferência climática, abriu o olho. Quer dizer, abriu a carteira, que é onde o olho do mercado realmente fica.
Olha, há quase duas décadas se anuncia o funeral do petróleo. Subsídios bilionários foram despejados em painel solar, em moinho de vento, em carro elétrico que precisa de mineradora chinesa para existir, e mesmo assim a humanidade continua acordando todo dia dependendo de hidrocarboneto para se locomover, se aquecer, comer, vestir e digitar indignação no celular. O que a Diamondback fez foi simplesmente aquilo que produtor competente faz quando o burocrata sai da frente: cavou, encontrou, vendeu. E a ação subiu porque preço de mercado, ao contrário de manchete de jornal, não mente.
Me diz uma coisa, por que o Permiano americano produz e o pré-sal brasileiro engatinha sob o peso de uma estatal aparelhada, de uma agência reguladora que muda as regras no meio do jogo e de uma carga tributária que faz o investidor sério passar reto? Não é geologia. A rocha texana não é mais generosa que a rocha brasileira. A diferença é institucional, e instituição é coisa que se constrói em décadas e se destrói em uma canetada. Lá o sujeito que arrisca capital fica com o lucro. Aqui o sujeito que arrisca capital divide com sócio que não pôs um centavo, e ainda ouve sermão sobre função social da empresa.
Siga o dinheiro do tal capital ESG que durante anos pressionou fundo de pensão a desinvestir de petroleira, e veja onde ele foi parar. Foi parar em ativo subprecificado que agora rende dois dígitos para quem teve coragem de comprar quando estava barato. Os mesmos gestores que assinaram manifesto contra combustível fóssil hoje compram Diamondback pela porta dos fundos via fundo passivo, sorrindo para a câmera e contando o dividendo no escritório. Hipocrisia bem remunerada continua sendo o produto mais lucrativo da praça financeira global.
O recado embutido na elevação do preço-alvo é mais filosófico do que econômico. É a confissão tardia de que a realidade física dos átomos vence a fantasia jurídica dos decretos. Você pode legislar contra a gravidade, pode subsidiar a queda do telhado, pode multar quem não bate palmas para o moinho holandês, mas no fim do dia o caminhão precisa de diesel, o avião precisa de querosene, o petroquímico precisa de nafta, e quem produz isso com eficiência é remunerado pelo mercado. O resto é liturgia.
O xisto americano é o que acontece quando o subsolo pertence a quem está em cima dele, quando o juiz cumpre contrato, quando o fisco não trata o sucesso como crime e quando o capital encontra rota de fuga das ideologias da moda. É um lembrete duro para o Brasil, que insiste em tratar sua maior vantagem comparativa como problema moral. Enquanto isso, a Diamondback sobe, o Barclays revisa para cima, e o consumidor de bom senso lucra com a teimosia da física contra o voluntarismo do parlamento.
Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.