Existe um tipo curioso de indignação que só floresce quando o capitalismo entrega exatamente o que promete. Buc-ee's, a rede de paradas rodoviárias texana com banheiros impecáveis, cinquenta bombas de combustível funcionando ao mesmo tempo e atendentes que parecem genuinamente felizes de estar ali, virou subitamente um case de "opressão capitalista" nas colunas de quem nunca dirigiu doze horas seguidas com uma criança chorando no banco de trás. O escândalo, veja você, é que milhões de pessoas voluntariamente saem da estrada, gastam o próprio dinheiro suado e vão embora satisfeitas. Insuportável.

Quando você examina a acusação de perto, ela se desmancha numa coisa só: ressentimento contra a escolha alheia. Ninguém é obrigado a parar num Buc-ee's. Não há decreto presidencial, não há subsídio bilionário, não há mandato federal forçando o motorista a comprar jerky de carne seca a granel. O que há é uma empresa que descobriu, ao longo de décadas de tentativa e erro, que limpeza importa, que estoque importa, que tratar o cliente como adulto importa. E o cliente, esse personagem que os planejadores adoram desprezar quando ele escolhe "errado", responde com a única linguagem que o mercado entende: ele volta.

O argumento de que pagar acima do salário mínimo numa região rural seria "exploração disfarçada" precisa de uma ginástica intelectual que só sobrevive em sala de aula com ar-condicionado. O trabalhador que recebe dezoito, vinte dólares a hora num condado onde o concorrente paga dez não está sendo oprimido, está sendo disputado. E a disputa por mão de obra é precisamente o mecanismo que os teóricos da opressão dizem querer e que sabotam toda vez que ele aparece em estado puro. Quer dizer, o sujeito quer salário alto, mas torce o nariz quando o salário alto surge sem que um burocrata o tenha decretado num gabinete.

Siga o dinheiro, como sempre. Por que essa irritação súbita com uma rede que cresce sem mamar nas tetas do BNDES local? Porque cada Buc-ee's próspero é uma refutação ambulante da tese de que sem o Estado planejando, regulando e redistribuindo, ninguém produziria nada decente. É um espinho na garganta de quem fez carreira escrevendo papers explicando que o consumidor é manipulado, que o trabalhador é alienado, que o lucro é sempre, em algum nível misterioso, roubo. Quando o consumidor sorri, o trabalhador prospera e o lucro paga banheiros de hotel cinco estrelas na beira da rodovia, o intelectual precisa inventar uma nova categoria de pecado, senão fica sem assunto na próxima conferência.

Há uma sabedoria antiga que diz: antes de derrubar a cerca, descubra por que ela foi construída. Buc-ee's é uma cerca construída tijolo por tijolo durante quase cinquenta anos por um sujeito que começou com um único posto e foi descobrindo, na prática, o que o motorista americano precisava e ninguém estava entregando. Não houve comitê, não houve plano quinquenal, não houve stakeholder meeting para definir a estratégia ESG da bomba de gasolina. Houve atenção obsessiva ao detalhe, reinvestimento de lucros e respeito pela inteligência do freguês. É exatamente o tipo de coisa que ordem espontânea produz e que planejamento central jamais conseguiria copiar, ainda que tivesse o orçamento de três ministérios.

A verdade incômoda é esta: a popularidade de Buc-ee's não é triunfo do marketing nem vitória do branding. É a confirmação chata, repetitiva e óbvia de que, quando você deixa as pessoas livres para escolher e os empreendedores livres para servir, surge espontaneamente uma coisa estranha chamada satisfação mútua. Quem chama isso de opressão está confessando, sem perceber, que sua ideologia depende da infelicidade alheia para se sustentar. Banheiro limpo, no fim das contas, é mais subversivo do que qualquer manifesto.

Com informações da Mises Institute. A análise e opinião são do O Algoz.