A Canterra Minerals divulgou novos resultados de perfuração no projeto Buchans, encravado naquela parte de Newfoundland onde o solo congela e os geólogos têm que justificar cada metro perfurado para acionistas que não engolem conversa fiada. Os números falam de intervalos com teores robustos de zinco, cobre, chumbo, prata e até ouro, recuperados de uma região que já produziu minério de classe mundial no século passado e foi abandonada porque o ciclo do crédito artificial empurrou os preços para o chão. Agora o ciclo virou, e os mesmos furos que ninguém queria pagar há vinte anos voltaram a brilhar.
Olha, é fascinante observar como o mercado de capitais trata uma júnior de exploração. Ela queima caixa, dilui acionista, sangra trimestre após trimestre, e ainda assim sobrevive porque alguém, em algum lugar, sabe que o papel-moeda emitido em Brasília, Washington e Frankfurt vale cada vez menos diante de uma onça de prata enterrada três quilômetros abaixo do permafrost canadense. Não é especulação ingênua. É reconhecimento praxeológico de que metal monetário não se imprime por decreto presidencial nem por ata de comitê de política monetária.
Quer dizer, vale a pena seguir o dinheiro. Quem financia esse tipo de operação? Fundos de recursos naturais, family offices que perderam a fé na renda fixa de países endividados, e cada vez mais investidores de varejo que finalmente acordaram para o fato de que a aposentadoria deles está sendo derretida silenciosamente pela tal "meta de inflação" de dois por cento. Dois por cento ao ano, capitalizado por trinta anos, é metade do poder de compra evaporado. Isso não é estabilidade monetária, é confisco em câmera lenta, e a Canterra existe porque tem gente que enxergou o truque.
Me diz uma coisa: por que zinco e cobre, ativos industriais aparentemente entediantes, voltaram à pauta dos analistas sérios? Porque o discurso da "transição energética" subsidiada por trilhões de dólares de dinheiro novo bateu na parede da geologia. Não existe carro elétrico, turbina eólica ou rede inteligente sem metal extraído de buraco no chão. Os planejadores centrais decretaram a demanda e esqueceram de decretar a oferta, porque a oferta depende de empresários teimosos enfrentando licenciamento ambiental, ativismo profissional e juros reais que sobem quando finalmente o banco central percebe que perdeu o controle. Buchans é a resposta concreta a uma promessa abstrata.
E aqui mora a lição que jornal de economia convencional não conta. A riqueza não nasce de gasto público, nem de pacote de estímulo, nem de programa social com nome bonito. Riqueza nasce de gente disposta a arriscar capital próprio em projeto que pode dar errado, perfurando rocha em lugar inóspito atrás de algo que talvez nem esteja lá. Quando dá certo, gera emprego real, royalties reais e produto real que entra na cadeia produtiva global. Quando dá errado, o prejuízo é privado, ninguém socializa nada. Compare isso com a economia de subsídio onde o lucro é privado e o prejuízo, sempre, sempre vira dívida pública.
O resultado de Buchans, no fim das contas, é menos sobre Canterra e mais sobre o que sobrou de capitalismo de verdade num mundo dominado pela engenharia financeira de Estado. Enquanto o ministro da Fazenda da vez anuncia mais uma "âncora fiscal" que ninguém respeita, geólogos canadenses estão entregando gramas por tonelada que ninguém pode falsificar. Papel queima, decreto envelhece, mandato termina. Mineral monetário fica.
Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.