A Chubb anunciou recompra de ações de US$ 7,5 bilhões e elevou o dividendo trimestral em 5,2%, marcando o 33º ano seguido de aumento na distribuição aos acionistas. Olha, três décadas e três anos devolvendo dinheiro a quem confiou o próprio patrimônio à empresa. Repita isso devagar. Trinta e três. Não é sorte, não é conjuntura, não é "ajuda governamental", não é pacote de estímulo, não é trilhão de dólares impresso pelo banco central para "salvar o sistema". É capital privado fazendo aquilo que capital privado faz quando ninguém atrapalha demais: gerar excedente e devolvê-lo a quem assumiu o risco.
Quer dizer, o contraste é brutal e por isso ninguém na imprensa econômica quer encará-lo de frente. No mesmo planeta em que uma seguradora consegue, ano após ano, calcular prêmios, precificar risco, reservar provisões e ainda sobrar caixa para recomprar o equivalente ao PIB de meia dúzia de países africanos, existem governos que não fecham um único exercício no azul. A Chubb opera no negócio mais ingrato que existe, vender promessa de pagamento futuro para evento incerto, e mesmo assim entrega resultado. Tesouros nacionais operam o negócio mais fácil do mundo, cobrar imposto de quem não pode fugir, e mesmo assim quebram.
Me diz uma coisa, por que ninguém pergunta de onde vem esse dinheiro? Vem do prêmio que milhões de empresas e pessoas pagam voluntariamente, porque preferem ceder uma fração do patrimônio hoje a perder tudo amanhã. Voluntariamente. Palavra desconhecida no vocabulário fiscal. Cada centavo que a Chubb agora devolve atravessou um caminho que começa no cálculo atuarial, passa pela disciplina de underwriting, sobrevive ao escrutínio de regulador, vence concorrente, e só então chega ao bolso do acionista. É o oposto do dinheiro público, que nasce do confisco, é gasto sem critério atuarial nenhum, e termina financiando o terceiro primo do deputado em cargo comissionado que ninguém sabe explicar para que serve.
E note o que a recompra significa de verdade, porque a manchete esconde o essencial. Recomprar ação é a empresa dizendo, com dinheiro na mesa, que o melhor uso do caixa naquele momento é reduzir a própria base acionária, concentrando valor nos que ficam. É confissão pública de que não há aventura corporativa mais lucrativa do que apostar na própria operação. Compare com o Estado moderno, que faz exatamente o contrário: dilui o cidadão, imprime mais "ações" da moeda, multiplica as obrigações sem multiplicar a capacidade de honrá-las. Quando uma empresa faz isso chama-se diluição e o acionista processa. Quando o governo faz isso chama-se política monetária expansionista e o economista aplaude.
Existe também o que não se vê neste comunicado, e é justamente aí que mora a lição. Os US$ 7,5 bilhões que voltam aos acionistas não somem do mundo, viram fundo de pensão de aposentado americano, viram capital de risco para a próxima startup, viram financiamento de imóvel, viram poupança de família que vai pagar faculdade do filho. Cada dólar devolvido é um dólar que volta a procurar o melhor uso possível, guiado por milhões de decisões individuais, e não por um comitê de iluminados decidindo em sala fechada quem merece o quê. É a engrenagem mais sofisticada já inventada para alocar recursos escassos, e os críticos dela seguem propondo, com cara séria, que tudo seria melhor se um burocrata em Brasília escolhesse no lugar.
O escândalo silencioso é este, e nenhum jornal de grande circulação vai apontá-lo: a Chubb, com seus 33 anos de dividendo crescente, demonstrou empiricamente que é possível enriquecer milhões de pessoas sem confiscar ninguém. Bastou cumprir contrato, precificar risco corretamente e respeitar o acionista. Receita simples, ignorada por todo governo que se respeita. Enquanto isso, o brasileiro continua sendo informado, com a solenidade própria dos analfabetos econômicos, que dividendo agora vai pagar imposto, porque é "justo" tributar quem investiu poupança tributada com salário tributado em empresa tributada que distribui lucro tributado. Quatro vezes o mesmo dinheiro. Justiça fiscal, dizem. O nome correto é pilhagem em quatro tempos.
Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.