A Cobra Resources, uma juniorzinha listada em Sydney que poucos brasileiros sabem que existe, divulgou nesta semana o balanço de 2025 mostrando avanço material em seus projetos de terras raras e cobre na Austrália do Sul. Não é a Rio Tinto, não é a BHP, não é nenhum gigante. É uma empresa pequena, com capitalização modesta, fazendo o que companhias do ramo fazem quando o ambiente regulatório permite que façam: perfurando, mapeando, contratando geólogos, gastando o dinheiro do acionista para encontrar coisa que vale dinheiro embaixo da terra. E entregando resultado.

Enquanto isso, o Brasil senta sobre uma das maiores reservas de terras raras do mundo, possui o maior depósito de nióbio do planeta, tem cobre, lítio, grafite, manganês e basicamente o cardápio inteiro da transição energética que o discurso oficial diz amar. E o que faz com isso? Tranca. Trancafia em camadas e camadas de licença prévia, licença de instalação, licença de operação, audiência pública, parecer do IBAMA, parecer do ICMBio, parecer da FUNAI, contestação do MPF, judicialização no STF, e quando o investidor finalmente desiste, o ministro de plantão dá entrevista falando em soberania mineral. Soberania de quem não produz nada, presume-se.

Olha, é preciso entender o que realmente acontece num projeto de mineração para enxergar o tamanho do crime. Quando uma empresa decide investir em exploração mineral, ela está apostando capital de risco numa janela de tempo que pode chegar a quinze anos entre o primeiro furo e o primeiro caminhão saindo da mina. O capital tem alternativas. Ele vai para onde a regra é estável, o prazo é previsível e o contrato é cumprido. A Austrália oferece isso. O Canadá oferece isso. Até o Chile, com toda a confusão política recente, ainda oferece mais do que nós. O Brasil oferece pirotecnia regulatória e um ministério inteiro dedicado a explicar por que o projeto não pode sair do papel este ano.

O resultado é matematicamente inevitável. A juniorzinha australiana levanta capital, fura, encontra, reporta, e a ação sobe. O capital flui para lá. As cadeias de fornecimento globais se desenham em torno de quem entrega. Daqui a dez anos, quando o mundo estiver dependente de terras raras australianas, canadenses e africanas processadas em Singapura e na Coreia, alguém em Brasília vai dar entrevista lamentando que o Brasil "perdeu o bonde da economia verde". Vai propor um novo plano nacional, um novo BNDES estratégico, uma nova política industrial com sigla bonita. E vai cobrar imposto para financiar a coisa toda. Como sempre.

O que ninguém vai dizer no horário nobre é a verdade aritmética por trás da história. Cada ano de licenciamento travado é um ano de royalty não recolhido, de imposto não pago, de salário não distribuído na cidade do interior, de fornecedor local que não cresceu, de universidade técnica que não formou geólogo porque não havia mercado contratante. O custo do que se vê, o projeto que não saiu, é grande. O custo do que não se vê, a economia inteira que não nasceu em volta dele, é incalculável. E ninguém será responsabilizado, porque a culpa é sempre do mercado, do neoliberalismo, da Faria Lima, do capital estrangeiro predatório, qualquer coisa, menos do burocrata bem intencionado que carimbou "indeferido" achando que estava salvando o planeta.

O Brasil não tem problema de subsolo. Tem problema de superfície. E a superfície, como qualquer geólogo honesto sabe, é onde mora gente, e onde gente decide se a riqueza que está embaixo vai virar prosperidade ou continuar sendo paisagem.

Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.