A College Top Holdings acaba de descarregar US$ 52,8 milhões em ações da Taboola.com, e a notícia foi publicada com a solenidade de quem informa a previsão do tempo. Olha, quando um fundo desse porte tira mais de meio bilhão de reais de uma posição, não está realocando portfólio, está pulando do barco. E o barco, no caso, é uma empresa cujo modelo de negócio inteiro depende de empurrar isca de clique no rodapé de jornais que já não conseguem mais vender assinatura.

Quer dizer, a Taboola é o retrato perfeito da economia digital que se convencionou chamar de inovadora. Ela vive de intermediar a atenção alheia, vendendo espaço para anúncios disfarçados de conteúdo jornalístico, aqueles blocos que aparecem embaixo das matérias prometendo a você o segredo para perder barriga ou a foto que vai chocar você. Não produz nada de tangível, não constrói nada de durável, apenas extrai valor da credibilidade que outros, em outros tempos, levaram décadas para construir. É parasitismo de plataforma vestido de tecnologia.

Me diz uma coisa, quem está do outro lado dessa venda? Porque cada ação vendida por US$ 52,8 milhões foi comprada por alguém, e esse alguém quase nunca é o aposentado da Faria Lima que recebeu a dica do gerente do banco. As instituições conversam entre si num andar acima, e quando uma sai com lucro, geralmente é porque conseguiu repassar o mico antes do mercado perceber que era mico. O que se vê é o comunicado oficial, frio e técnico. O que não se vê é a fila de pequenos cotistas que vão segurar o papel quando ele começar a sangrar.

E aqui mora a contradição que ninguém comenta. Esses fundos institucionais que hoje saem da Taboola foram os mesmos que, ontem, ajudaram a inflar o preço dela com relatórios entusiasmados sobre o futuro da publicidade programática. Compraram barato, venderam caro, e agora deixam para trás uma empresa cujo valuation foi inflado com expectativa pura, sem lastro em geração real de riqueza. É o velho esquema da batata quente, só que com terno de Wall Street e parecer de analista certificado.

Existe ainda a dimensão moral da coisa, que costuma escapar dos comentaristas econômicos por excesso de profissionalismo. A Taboola e suas pares construíram impérios capturando a atenção das pessoas com gatilhos psicológicos baratos, transformando navegação em vício e curiosidade em mercadoria. Quando o capital institucional abandona esse tipo de empresa, não é despertar ético, é cálculo. Eles saem porque o modelo está saturado, porque os reguladores começam a apertar, porque a internet inteira está cansada de ser empurrada para o lixo digital. A ética chega sempre depois do balanço.

O pequeno investidor brasileiro que ainda compra ADR achando que está participando da revolução tecnológica precisa entender uma coisa simples. Quando o dinheiro grande sai, ele sai primeiro, sai em silêncio e sai por cima. O comunicado vem depois, formatado para parecer neutro, e o jornal especializado reproduz como se fosse fato isolado. Não é. É sinal. E quem não sabe ler sinal no mercado financeiro acaba pagando a conta de quem sabe.

Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.