O Índice COLCAP fechou em queda de 0,85% nesta sessão, e antes que algum analista de banco apareça na televisão local dizendo que foi "realização de lucros" ou "ajuste técnico", convém lembrar uma coisa muito simples: bolsa não cai por acaso, e país nenhum afunda do dia para a noite. A Colômbia vem entregando, há meses, o roteiro clássico de quem confunde governar com castigar o produtor, e o pregão de hoje é só mais uma página desse livro que todo mundo já leu antes, em espanhol, português e até em russo.

Olha, é fascinante observar como o mesmo erro se repete com sotaques diferentes. Eleger um ex-guerrilheiro convertido em estadista, prometer reforma tributária que pune capital, mexer no setor de hidrocarbonetos como se petróleo fosse pecado original, insinuar controle de preços aqui, ameaçar nacionalização ali, e depois ficar genuinamente surpreso quando o investidor estrangeiro decide que talvez Lima, Santiago ou até mesmo São Paulo pareçam destinos menos românticos, porém mais previsíveis. O capital, esse animal arisco, foge antes do tiro. Sempre foi assim.

Quer dizer, o que se vê no índice é o número. O que não se vê é a fábrica que não foi construída, o contrato de exportação que migrou para o vizinho, o engenheiro que aceitou proposta em Madri, o pequeno acionista colombiano que sacou a poupança e comprou dólar no câmbio paralelo porque não confia mais nem no peso nem no governo que o emite. Cada pregão vermelho é a soma silenciosa de milhões de decisões individuais, cada uma delas perfeitamente racional do ponto de vista de quem decide, e perfeitamente devastadora do ponto de vista de quem fica.

E aí entra o detalhe que ninguém quer admitir em voz alta: o governo Petro não está fracassando por incompetência técnica, está fracassando porque está fazendo exatamente o que prometeu fazer. Redistribuir antes de produzir, taxar antes de gerar, regular antes de entender, gastar antes de arrecadar. Funciona maravilhosamente bem no comício, funciona razoavelmente bem no primeiro ano, funciona mal no segundo, e no terceiro a bolsa começa a contar a história que a imprensa amiga ainda finge não enxergar. Pregões vermelhos são apenas a forma educada que o mercado encontrou de dizer que não acredita mais.

Me diz uma coisa, quantas vezes esse filme já passou no continente? Argentina virou pó três ou quatro vezes só nas últimas décadas, Venezuela virou museu de cera do socialismo bolivariano, Equador oscila ao sabor do caudilho da vez, e mesmo assim, sempre, sempre aparece um novo redentor latino-americano convencido de que dessa vez vai dar certo porque ele é diferente, porque o povo é diferente, porque o contexto é diferente. Não é diferente. A aritmética da realidade é tediosamente igual em qualquer idioma: quem produz precisa de previsibilidade, quem investe precisa de propriedade respeitada, e quem paga imposto precisa enxergar algum retorno que não seja o aumento do próximo imposto.

A queda de hoje é pequena, quase decorativa, mas é importante justamente por isso. Não é o colapso espetacular, é o sangramento lento, aquele que nenhum manchete pega e nenhum economista chamado para o jornal das oito quer comentar. É o tipo de movimento que só faz sentido quando você empilha um ao lado do outro e percebe que o paciente está ficando pálido faz tempo. A Colômbia ainda tem chance, instituições razoáveis, uma sociedade civil resistente, empresariado que aprendeu a sobreviver a guerra civil e narcotráfico. Mas chance não é destino, e mercado tem memória curta para promessa e longa para prejuízo.

Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.