O gráfico da Copasa quebrou. Não de forma dramática, não com explosão de volume nem com notícia de escândalo, mas da pior maneira possível: silenciosamente, metodicamente, como sempre acontece quando uma euforia não tinha fundamento para existir. As ações da CSMG3 recuam, o suporte começa a ser testado, e a pergunta que ninguém nos pregões faz em voz alta é a mais óbvia de todas: o que exatamente justificou a alta?

A Copasa é uma companhia de saneamento controlada pelo Estado de Minas Gerais. Isso significa, em linguagem direta, que seus diretores são escolhidos por políticos, suas tarifas são aprovadas por agências regulatórias cujos membros são indicados por políticos, e sua estratégia de expansão depende de concessões negociadas com, adivinhe, políticos. Quando você compra CSMG3, não está comprando a eficiência de um negócio, está comprando a esperança de que o ciclo político mineiro seja favorável à empresa pelos próximos anos. É uma aposta no humor do governador, não na competência gerencial.

A euforia que o gráfico agora confessa ter sido excessiva nasceu, como toda euforia em estatal listada, de uma narrativa. Talvez a narrativa da privatização, talvez a de reajuste tarifário favorável, talvez simplesmente o fluxo de capital que busca empresas com monopólio garantido por lei e acha que monopólio equivale a qualidade. Não equivale. Monopólio garantido por lei equivale a ausência de pressão para melhorar, a tarifas que sobem quando deveriam cair, e a uma estrutura de custos que nenhum concorrente real jamais veio questionar. O saneamento básico brasileiro é o retrato do que acontece quando você tira do mercado a capacidade de punir quem entrega mal e premiar quem entrega bem.

Siga o dinheiro e você encontra o arranjo completo. A Copasa tem contrato de concessão com os municípios de Minas Gerais. Esses municípios dependem politicamente do governo estadual. O governo estadual indica os gestores da Copasa. Os gestores da Copasa negociam as tarifas com a agência reguladora. A agência reguladora é, por sua natureza, capturada pelos regulados, que têm muito mais interesse em frequentá-la do que o contribuinte médio que paga a conta de água. No fim, o preço que você paga pelo metro cúbico de água tratada não reflete custos reais de produção, nem eficiência operacional, nem concorrência de mercado. Reflete a negociação política de bastidores que esse ciclo inteiro alimenta.

O teste de suporte no gráfico é, portanto, o mercado acordando para o que nunca deveria ter esquecido. Empresas cujos fundamentos dependem de vontade política não têm fundamentos, têm favores. E favores, como toda pessoa que já viveu num país de longa tradição clientelista sabe, têm validade de acordo com o calendário eleitoral. Quando o ciclo vira, quando o governador muda, quando a prioridade política se desloca, a empresa que parecia sólida de repente revela que sua solidez era alugada.

O analista técnico olha o gráfico e vê uma bandeira baixista, uma perda de momentum, um possível reteste de suporte relevante. Tudo correto. Mas debaixo do gráfico há uma história mais antiga e mais simples: serviço público monopolizado e gerido por indicação política nunca foi e nunca será um bom negócio para quem não tem acesso ao palácio do governo. Para os outros, é só esperar o suporte ceder.

Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.