A Dick's Sporting Goods entregou na semana passada o tipo de resultado que faz o consenso dos analistas parecer reunião de adivinhos amadores. Receita acima do esperado, lucro por ação acima do esperado, mesmas lojas crescendo em ritmo que desafia a narrativa do consumidor americano "exausto". E o detalhe deliciosamente incômodo para quem vive defendendo intervenção estatal, a empresa não recebeu pacote de estímulo, não foi salva por banco central, não pediu isenção fiscal para "proteger empregos". Vendeu tênis, vendeu raquete, vendeu equipamento de pesca, e o cliente pagou porque quis.
Aqui está o ponto que ninguém na imprensa econômica vai sublinhar, todo trimestre em que uma empresa de capital aberto supera projeção é uma pequena humilhação silenciosa para a tese de que o mercado precisa de tutor. Os analistas, com seus modelos sofisticados, suas planilhas de mil abas, suas teleconferências com executivos, erraram. Erraram porque é impossível acertar consistentemente o que milhões de consumidores, espalhados por cinquenta estados, decidindo individualmente o que comprar em qual loja em qual sábado, vão fazer com seu próprio dinheiro. Nenhum comitê, nenhuma agência, nenhum ministério jamais teria a informação que o varejo agrega em tempo real através do simples ato de cobrar preço e ver quem paga.
Quer dizer, enquanto isso, do lado de cá do Equador, a turma do palácio continua acreditando que sabe exatamente quais setores merecem crédito subsidiado do BNDES, quais "campeões nacionais" devem ser bancados pelo contribuinte, qual indústria precisa de proteção tarifária para "se desenvolver". Os mesmos gênios que não conseguem fazer aplicativo do SUS funcionar pretendem alocar capital melhor do que milhões de consumidores votando com a carteira. É a velha pretensão de redesenhar uma sociedade de cima para baixo, e o resultado é sempre o mesmo, dívida pública nas alturas, produtividade rastejante e empresário gastando mais tempo em Brasília do que em sua própria fábrica.
A Dick's não cresceu porque algum secretário do Tesouro americano teve uma ideia brilhante. Cresceu porque acertou sortimento, controlou estoque, leu o consumidor melhor do que o concorrente e ajustou preço com agilidade que nenhuma estatal consegue replicar. Isso é conhecimento disperso, fragmentado, local, intransferível, agindo em escala. É o oposto matemático da planilha do Ministério do Desenvolvimento. E é por isso que o resultado aparece no balanço enquanto a "nova política industrial brasileira", relançada com pompa a cada quatro anos desde os anos sessenta, continua produzindo os mesmos slides e os mesmos fracassos.
Olha, há também o que não se vê neste número trimestral, e isto é o mais belo da história. Cada dólar que o consumidor americano gastou voluntariamente em uma raquete na Dick's é um dólar que não foi confiscado para financiar burocracia, não foi inflacionado pela impressora monetária, não foi desviado para algum projeto de relações públicas governamental. É riqueza circulando entre quem produz e quem consome, sem intermediário armado cobrando pedágio. Esse é o segredo simples e poderoso que toda geração precisa reaprender, porque toda geração tem seus iluminados convencidos de que desta vez o planejamento central vai dar certo.
Me diz uma coisa, qual foi a última vez que você viu uma estatal brasileira "superar as expectativas dos analistas" sem que essas expectativas tivessem sido rebaixadas três vezes antes? Pois é. A diferença entre uma rede de lojas de tênis lucrando em mercado competitivo e um conglomerado público dependente de aporte do Tesouro não é sorte, não é conjuntura, não é "modelo de negócio". É liberdade econômica versus tutela burocrática, e o placar deste jogo já foi decidido há muito tempo, só falta alguns sociólogos avisarem.
Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.