A D.R. Horton, maior construtora de casas dos Estados Unidos, entregou números que deixaram os analistas de gravata com o nó torto. Lucro acima do esperado, receita acima do esperado, entregas acima do esperado, e o mercado reagiu como reage quando a realidade atropela a narrativa: as ações dispararam. Há meses a imprensa financeira transmite o funeral do setor imobiliário americano, com velas acesas e discurso de despedida, e eis que o morto levanta, pede café e bate recorde de vendas. Quer dizer, ou os analistas não sabem ler balanço, ou estavam lendo o balanço errado de propósito.
O ponto é que o mercado imobiliário americano nunca esteve em crise real. Esteve sob o efeito colateral de anos de dinheiro barato artificial, seguidos por uma correção de juros que a imprensa travestiu de apocalipse. A construtora que opera com disciplina, que entende o consumidor local, que sabe precificar terreno e gerir estoque, continua ganhando dinheiro mesmo com juros em patamar que há vinte anos seria considerado normal. O apocalipse existia na tela da CNBC, não no chão de obra do Texas ou da Flórida.
Repare no detalhe que quase ninguém comenta. A demanda por casa própria nos Estados Unidos não some porque o Federal Reserve mexeu na taxa; ela se adapta. Família continua precisando de teto, jovem continua querendo sair da casa dos pais, migração interna continua movendo americanos do Nordeste caro para o Sul barato. A D.R. Horton entendeu isso antes dos economistas de banco, ofereceu taxas subsidiadas pela própria construtora, ajustou o mix de produtos e colheu o resultado. É capitalismo operando como capitalismo deveria operar: quem lê o cliente ganha, quem lê o Twitter perde.
E aqui mora a lição que ninguém quer aprender. Quando o Banco Central imprime dinheiro por uma década, cria-se uma ilusão coletiva de que juro zero é normal, que casa sempre sobe, que risco não existe. Quando a farsa acaba, vem o choro. Mas o choro não é do mercado, é dos especuladores que confundiram estímulo monetário com prosperidade genuína. A empresa que construiu operação real, com capital real, vendendo produto real para cliente real, atravessa a ressaca e volta a crescer. A que vivia de alavancagem barata some do mapa. O mercado não está em crise; está depurando.
Olha, tem um elemento quase cômico na reação dos comentaristas. Os mesmos que passaram doze meses anunciando o colapso residencial agora correm para explicar por que a D.R. Horton superou as estimativas. Vão falar em "resiliência inesperada", em "fatores sazonais", em "efeito pontual", qualquer coisa menos admitir o óbvio: as estimativas estavam erradas porque o modelo mental estava errado. Quando você parte do pressuposto de que o consumidor é burro e a economia depende de tutela estatal, você erra a previsão toda vez que o consumidor prova o contrário.
No fim das contas, a história se repete com a monotonia de quem não aprende. Há quem acredite que prosperidade vem de planilha de governo, e há quem construa casa, venda casa, entregue casa. Os primeiros dão entrevista, os segundos dão lucro. Adivinhe quem cria riqueza de verdade.
Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.