A Empire State Realty Trust, dona daquele arranha-céu que todo turista fotografa em Manhattan, declarou o dividendo do segundo trimestre de 2026. Para o leitor desavisado, isso parece tecnicalidade de balanço. Para quem entende o que está em jogo, é coisa muito mais séria, é uma empresa devolvendo ao seu legítimo dono uma fração do lucro gerado pela locação de metros quadrados num pedaço de granito vertical de Nova York. Quer dizer, o capitalismo ainda funciona em algum lugar, ainda existe alguém produzindo valor real, cobrando aluguel real, e repartindo o resultado com quem arriscou dinheiro real. Em 2026, isso é quase exótico.

Olha, o dividendo é o oposto filosófico da política monetária contemporânea. Quando um banco central anuncia uma nova rodada de expansão monetária, ele está dizendo, em linguagem cifrada, que vai diluir a sua poupança para financiar a gastança do governo. Quando uma empresa declara dividendo, ela está dizendo o contrário, que produziu algo concreto, que o mercado validou esse algo pagando por ele, e que parte desse valor agora pertence a quem confiou capital ao empreendimento. Um movimento cria riqueza, o outro a transfere por decreto. E ainda há quem confunda as duas coisas porque a televisão chama ambas de notícia econômica.

Me diz uma coisa, o que sustenta o valor de um REIT como esse? Não é a inflação dos preços de aluguel inflada por estímulo fiscal, não é a manipulação de juros pelo Fed, não é o teatro de ESG que tomou conta dos relatórios anuais. É a demanda real por espaço comercial, é a competência da administração em manter ocupação, é a capacidade de gerar fluxo de caixa numa cidade que, apesar de governada por gente que parece ter prometido destruí-la, continua sendo o centro financeiro do planeta. O mercado, esse organismo que ninguém projetou e ninguém comanda, continua premiando quem entrega e punindo quem finge.

Siga o dinheiro e o quadro fica ainda mais claro. Quem recebe o dividendo? Fundos de pensão, investidores individuais, aposentados que dependem dessa renda passiva para complementar o que sobrou da Previdência depois que décadas de inflação roeram seu poder de compra. Quem não recebe? O governo, exceto na fatia que arranca via imposto sobre o ganho. O dividendo é a prova de que ainda existe um canal pelo qual o cidadão produtivo consegue capturar uma parcela do crescimento real da economia, sem precisar pedir licença a nenhum burocrata, sem depender de programa social, sem suplicar audiência com ministro.

E é por isso que tanta gente, em tantos parlamentos, sonha em tributar dividendos com alíquota cada vez mais ferina. O instinto coletivista enxerga capital remunerado e sente o que o lobo sente diante da ovelha desgarrada. A retórica é sempre a mesma, justiça social, equidade, contribuição dos mais ricos. A prática é sempre a mesma também, sufocar a poupança privada para alimentar a máquina estatal que nunca está satisfeita. Cada ponto percentual a mais de tributação sobre dividendo é um pedaço a menos do capital que financiaria a próxima fábrica, o próximo prédio, o próximo emprego de verdade.

A lição que o anúncio da Empire State entrega, sem alarde, é que riqueza se produz, se acumula e se distribui quando o Estado não está estrangulando o processo. Cada vez que um REIT paga dividendo, está repetindo uma verdade incômoda para os teóricos da redistribuição forçada, que o mercado livre é, ainda hoje, o único sistema que consegue transformar tijolo, suor e cálculo em prosperidade efetivamente repartida. Os planejadores centrais prometem o céu e entregam fila. O capitalismo promete lucro e, quando deixado em paz, entrega trimestre após trimestre.

Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.