A Evercore ISI revisou para cima o preço-alvo das ações da Teradyne, fabricante americana de equipamentos de teste de semicondutores, citando a força persistente do ciclo de computação avançada. Quem acompanha o setor sabe que isso não é capricho de analista entediado. Teradyne é o tipo de empresa que vende a picareta na corrida do ouro: enquanto todos discutem qual chip vai dominar a inteligência artificial, ela testa todos eles e cobra por isso. E o capital, esse animal que enxerga melhor no escuro do que qualquer ministro do Planejamento, está se movendo na direção do óbvio.
Olha, a notícia parece técnica, parece coisa de pregão, mas o que está por trás dela é a demonstração mais limpa que existe sobre como recursos escassos encontram seu uso mais produtivo. Ninguém em Washington, em Brasília ou em Bruxelas decretou que o mundo precisava de mais capacidade de teste de chips. Milhões de decisões dispersas, de engenheiros de Taiwan a fundos de pensão da Califórnia, convergiram para o mesmo ponto sem que nenhum burocrata precisasse rabiscar uma planilha. O preço da ação subiu porque a demanda real subiu, e a demanda real subiu porque a produtividade da computação avançada está reorganizando setores inteiros da economia. Simples assim. Quase ofensivamente simples para quem prefere narrativas complicadas.
Quer dizer, enquanto isso acontece no mundo real, no Brasil ainda se discute se o Estado deve "induzir" o desenvolvimento tecnológico com BNDES, fundo soberano de inovação, secretaria disso, ministério daquilo. O resultado dessa indução, todo mundo já viu: bilhões enterrados em campeões nacionais que viraram pó, subsídios para setores que nunca aprenderam a andar sozinhos, "políticas industriais" que beneficiaram exatamente os mesmos empresários de sempre, aqueles que sabem fazer lobby melhor do que sabem fazer produto. Siga o dinheiro e você vai encontrar o mesmo arranjo de cinquenta anos atrás, só com nomes diferentes nas placas dos prédios.
O contraste é didático. De um lado, um mercado de capitais que erra muito, mas erra com dinheiro próprio e corrige rápido. Do outro, um aparato estatal que erra sempre com dinheiro alheio e jamais corrige, porque o erro é justamente o objetivo de quem desenhou o programa. Me diz uma coisa: você já viu algum subsídio brasileiro ser cancelado porque deu errado? Pois é. Ele só é cancelado quando o partido cai, e mesmo assim raramente. Já uma ação como a da Teradyne, se a tese da Evercore estiver furada, despenca em uma tarde e os gestores que apostaram errado perdem o emprego na sexta-feira. Esse mecanismo brutal de feedback é o que faz o capitalismo funcionar, e é exatamente o que toda intervenção estatal foi desenhada para neutralizar.
Há ainda o aspecto invisível, aquele que nenhuma manchete cobre. Cada dólar que flui voluntariamente para Teradyne é um dólar que não foi expropriado de um trabalhador para financiar a aventura predileta de algum tecnocrata. É produtividade sendo recompensada com poupança, é poupança sendo transformada em investimento, é investimento gerando capacidade produtiva que vai baratear bens que ainda nem foram inventados. Isso não aparece em nenhum noticiário porque a imprensa econômica brasileira foi treinada para enxergar apenas o gasto governamental e chamar isso de "economia". O que se vê é a manchete sobre subsídio. O que não se vê é a fábrica que não foi aberta porque o imposto subiu para pagar o subsídio.
O recado dessa elevação de preço-alvo, portanto, vai muito além de Wall Street. Ele lembra, para quem ainda quer ouvir, que existem dois métodos para alocar capital em uma sociedade: o método do cálculo, em que preços livres sinalizam onde investir, e o método do decreto, em que homens de gabinete decidem por todos. O primeiro produziu o iPhone, a vacina de mRNA e a revolução dos semicondutores. O segundo produziu fila no supermercado, apagão programado e empresário de carteirinha vivendo de teta. Escolha qual o Brasil quer continuar praticando.
Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.