Quarta-feira, 17 de setembro de 2025. O Federal Reserve encerrou dois dias de reunião e anunciou o que os mercados vinham precificando há semanas: o primeiro corte de juros do ano. A taxa que antes sufocava o crédito agora afrouxou um pouco o garrote, e Wall Street respondeu com aquele entusiasmo de criança que acabou de ganhar sorvete antes do jantar. O problema, claro, é que o jantar ainda virá, e a conta também.

Existe uma coreografia muito conhecida nessa dança. O banco central aumenta os juros quando a inflação que ele mesmo criou sai do controle, depois os reduz quando a economia que ele mesmo freou começa a dar sinais de exaustão. Em nenhum momento desta sequência o burocrata de gravata admite que o problema anterior foi causado exatamente pelo remédio que ele aplicou antes. A memória institucional dos bancos centrais funciona como a de um incendiário que se candidata a bombeiro: cada novo fogo justifica sua existência, nunca sua responsabilidade.

Siga o dinheiro, como sempre. Quem lucra quando os juros caem? Os bancos, que emprestam mais barato e vendem mais volume. Os governos, que rolam dívidas colossais a custo menor, sem precisar cortar um centavo de gasto. Os especuladores imobiliários, que voltam a tomar crédito para comprar ativos que subirão de preço não porque geraram mais riqueza, mas porque mais dinheiro está perseguindo os mesmos bens. O trabalhador assalariado, que poupou em dólar acreditando que seu esforço estava guardado de forma segura, não aparece nessa lista. Ele é quem financia o espetáculo sem receber ingresso.

O que a notícia não mostra, e que nenhum apresentador do canal de finanças vai mencionar, é o custo invisível desta operação. Cada vez que o crédito é expandido artificialmente, os preços que virão depois já estão sendo gestados agora. A inflação não é um acidente, não é culpa do posto de gasolina nem da seca nem da guerra. É a consequência aritmética de criar dinheiro além do que a economia produziu. Quando o Fed corta juros e facilita crédito, está plantando a colheita que alguém, daqui a dois ou três anos, chamará de "nova crise inesperada". Inesperada para quem não quiser ver.

Há uma ironia estrutural que merece ser dita em voz alta: o mesmo sistema que causou a inflação de 2021 a 2023 com juros artificialmente baixos e impressão em escala industrial agora é celebrado por resolver parte do problema que criou, cortando juros de volta. Se você fizer isso em qualquer outra área da vida, chama-se reincidência. Na linguagem da política monetária, chama-se "flexibilização" ou "pivot", e há analistas de terno explicando por que desta vez é diferente. Nunca é diferente.

O Fed existe há mais de um século e neste período os Estados Unidos acumularam mais crises financeiras do que em qualquer período equivalente anterior à sua criação. A coincidência é demasiado constante para ser apenas coincidência. Um sistema bancário central com poder de criar moeda a partir do nada, de fixar o preço do crédito por decreto e de decidir quem fica em pé quando a tempestade chega não é uma solução ao caos do mercado. É o caos institucionalizado, administrado por pessoas que nunca pagam pelos erros que cometem com o dinheiro dos outros. O corte de juros de setembro de 2025 não é uma cura. É o próximo gatilho.

Com informações da Epoch Times Economia. A análise e opinião são do O Algoz.