O Goldman Sachs acaba de publicar sua lista das melhores ações de petróleo canadenses por geração de fluxo de caixa, e o detalhe interessante não está nos tickers recomendados, está no fato de que a recomendação existe. O mesmo establishment financeiro que passou meia década pregando o evangelho da descarbonização, financiando relatórios ESG e pressionando fundos a desinvestir de combustíveis fósseis, agora cochicha aos clientes que o lugar para estacionar capital é justamente onde a esquerda climática mandou ninguém pisar. Quer dizer, a areia betuminosa de Alberta, aquela que foi chamada de crime ambiental durante uma década inteira, virou de repente máquina de imprimir dividendo.

Olha, não há mistério nenhum aqui para quem prestou atenção em vez de aplaudir o discurso. Quando se proíbe novos investimentos em exploração, quando se bloqueia oleoduto, quando se carimba o setor como pária e se afasta o capital institucional, o resultado inevitável é o que está acontecendo agora: oferta restrita, capex reprimido, balanços limpos e fluxo de caixa transbordando para os poucos players que sobreviveram ao cerco. As empresas canadenses que o Goldman destaca, Canadian Natural Resources, Cenovus, Suncor e companhia, não são vencedoras porque foram mais espertas; são vencedoras porque a regulação matou os concorrentes e a demanda por petróleo, surpresa, continua subindo enquanto o mundo finge que carro elétrico vai resolver tudo.

Me diz uma coisa, alguém se lembra do que aconteceu com o oleoduto Keystone XL? Cancelado no primeiro dia de governo Biden, com aplausos da imprensa e abraço de ativista. Resultado prático cinco anos depois: gasolina mais cara para o americano médio, dependência maior de regimes hostis e uma fortuna inesperada para as empresas canadenses que conseguiram escoar produto pelos canais remanescentes. A política pública não criou energia verde, criou escassez artificial, e escassez artificial sempre, sempre, sempre vira lucro extraordinário para quem sobrou de pé. O subsídio ao painel solar saiu do bolso do contribuinte; o dividendo da Canadian Natural sai do bolso de quem ainda precisa abastecer o caminhão.

O ponto que ninguém na CNBC vai dizer em voz alta é que esses fluxos de caixa monstruosos são, em larga medida, transferência de renda disfarçada. Cada barril vendido a preço inflado por restrição regulatória é um imposto invisível pago pelo consumidor à companhia favorecida pela própria regulação que fingiu combatê-la. O capitalismo de compadrio funciona assim mesmo: o governo finge regular, o setor finge resistir, e no final ambos lucram em cima do sujeito que enche o tanque. A diferença é que agora o Goldman, que vive de antecipar para onde a manada vai correr, está dizendo aos seus clientes ricos o que o cidadão comum só descobre quando a conta de luz chega.

E há uma ironia mais profunda, daquelas que merecem ser saboreadas devagar. Os mesmos fundos de pensão que foram obrigados, por pressão política e narrativa moral, a vender suas posições em petróleo nos últimos anos venderam barato para quem agora compra caro pela recomendação do Goldman. Os pequenos pagaram a fatura da virtude alheia, e os grandes recompram na baixa que eles mesmos provocaram. Não existe lição mais antiga em economia, e nenhuma é tão obstinadamente ignorada: quando alguém usa o aparato estatal para forçar você a vender, é porque alguém do outro lado está esperando para comprar.

A lição prática para o investidor brasileiro que lê isto é simples e desconfortável. Enquanto o discurso oficial em Brasília fala em transição energética, pré-sal politizado e Petrobras como instrumento de política industrial, o dinheiro inteligente do mundo está se posicionando no oposto exato da narrativa pública. Petróleo não vai acabar nesta geração, nem na próxima, e quem controla barril em ambiente de oferta artificialmente restrita vai colher dividendo por anos. O resto é teatro para a plateia da ONU.

Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.