O Ibovespa busca os 187 mil pontos com a determinação de quem já entendeu o recado, e o ADX em 56 não é capricho técnico, é diagnóstico. Quando esse indicador passa de 50, não estamos mais diante de oscilação, estamos diante de tendência consolidada, com vendedores no comando e compradores rezando. O mercado, esse organismo que agrega o conhecimento disperso de milhões de agentes em tempo real, está dizendo algo que o Planalto finge não ouvir: a conta da farra fiscal chegou, e ela vem em dólar, em juro longo e em ação derretendo.

Olha, não é mistério nenhum. Você tem um governo que trata arcabouço fiscal como sugestão de etiqueta, um Banco Central pressionado para cortar juros enquanto a inflação implícita sobe, e uma Receita inventando imposto novo a cada semana como quem inventa desculpa para não pagar a conta do bar. O capital, esse sujeito covarde e inteligente, faz o que sempre faz: pega o avião. E quando o capital embarca, o Ibovespa desembarca, é matemática de primeira série.

Quer dizer, o engraçado é ver os comentaristas de plantão tratando a queda como se fosse fenômeno meteorológico, algo que aconteceu sozinho, sem causa, sem responsável, sem sobrenome. Não foi o "humor externo", não foi a "aversão global a risco", não foi o "ruído". Foi escolha, foi política pública deliberada, foi gastança bancada com expansão de crédito artificial e promessa de almoço grátis para todo mundo. Cada ponto que o índice perde tem CEP em Brasília e digital de quem assinou a despesa.

E aqui mora a parte que ninguém quer encarar: existe o que se vê e o que não se vê. Vê-se o programa social anunciado em rede nacional, vê-se a obra inaugurada com fita cortada, vê-se o subsídio distribuído ao setor amigo do ministro. Não se vê o investimento que não veio, a fábrica que não abriu, o emprego privado que não nasceu, a poupança da classe média evaporando enquanto o sujeito dorme. A bolsa caindo é apenas o termômetro visível de uma febre que está cozinhando a economia real lá embaixo, na padaria, no supermercado, no boleto.

O ADX em 56 é honesto, mais honesto que ministro em coletiva. Ele não tem agenda, não tem partido, não precisa agradar a base aliada. Ele apenas mede a força com que o dinheiro está saindo, e está saindo com pressa. Os ursos não estão atacando o Brasil por maldade ideológica, como gostam de fantasiar os defensores do gasto eterno. Os ursos são, em última instância, brasileiros e estrangeiros olhando uma planilha e concluindo, com a frieza de quem soma e subtrai, que o risco está mal precificado para cima.

No fim, a lição é a mesma de sempre, aquela que cada geração precisa reaprender no susto: não se imprime prosperidade, não se decreta crescimento, não se legisla riqueza. Quem trata o mercado como inimigo a ser domado descobre, mais cedo ou mais tarde, que estava domando o próprio futuro. Os 187 mil pontos não são o fundo, são o boleto.

Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.