Um juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos abriu a boca, disse que o progressismo do começo do século vinte produziu desastre em cima de desastre, e a casta jornalística entrou em parafuso coletivo. Acadêmicos rasgaram vestes, políticos se indignaram, colunistas chamaram de retrógrado, de extremista, de tudo que o dicionário da militância oferece de prateleira. O detalhe inconveniente, aquele que ninguém quis encarar de frente, é que o sujeito estava simplesmente certo. E a histeria contra ele é a prova viva da tese que ele defendeu.

Olha, o progressismo nunca foi o que ele diz ser. Vendeu-se como movimento de reforma humanitária, ciência aplicada à sociedade, governo de especialistas iluminados resolvendo problemas que o povo ignorante não saberia resolver sozinho. Na prática, foi outra coisa. Foi a transferência sistemática de poder do indivíduo para o burocrata, do mercado para o regulador, do contribuinte para o lobista bem relacionado. Cada agência criada para proteger o consumidor virou, em prazo curto, um balcão capturado pelo próprio setor que deveria fiscalizar. Cada lei concebida para domar o capital grande terminou triturando o capital pequeno, que não tem advogado caro para decifrar mil páginas de regulamento. Isso não é teoria conspiratória; é registro histórico, basta abrir os arquivos.

Quer dizer, o que se vê é o programa anunciado nas manchetes, com fotos de crianças sorrindo e gráficos coloridos. O que não se vê é a fila de empreendedores que desistiu, a indústria que migrou para outro país, o emprego que nunca existiu porque o salário mínimo decretado tornou aquele trabalhador economicamente inviável, o medicamento que nunca foi aprovado porque a agência exigiu mais dez anos de papelada. O custo invisível do progressismo sempre foi maior que o benefício que ele exibe na vitrine, mas como o custo é invisível, ninguém é responsabilizado. O burocrata que destruiu cem empregos para salvar um vira herói; o empresário que criou cem empregos sem permissão do Estado vira suspeito.

E tem a parte do dinheiro, que é onde a coisa fica deliciosa. Siga a trilha. As grandes leis progressistas, da regulação bancária à regulação trabalhista, da fiscalização de alimentos à fiscalização de remédios, todas foram redigidas com a colaboração entusiasmada das maiores empresas do setor. Por que motivo? Porque o regulamento pesado é uma muralha contra o concorrente menor. O gigante absorve o custo de conformidade e ainda agradece, porque o pequeno não consegue. A retórica é antimonopolista, a consequência é monopolista. Foi assim no século vinte, é assim em pleno 2026, e quem ainda finge não enxergar essa engrenagem está distraído ou recebendo para fingir.

O mais cruel desse arranjo é a embalagem moral. O progressismo não se apresenta como ideologia, apresenta-se como bondade técnica. Quem discorda não é adversário político, é inimigo do bem. Quem questiona não está errado, está doente, é fóbico de alguma coisa, precisa ser reeducado. A tirania mais perfeita é aquela exercida em nome do próprio bem da vítima, porque a vítima não tem como reclamar sem confirmar o diagnóstico que o opressor já fez dela. Você é livre para concordar; discordar é sintoma. Esse é o regime que se construiu em torno da palavra progresso, e é por isso que basta um juiz dizer a verdade óbvia para a maquinaria inteira ruir em escândalo coletivo.

Me diz uma coisa: se o progressismo fosse mesmo o triunfo civilizatório que seus defensores juram que é, por que precisa de tanta polícia ideológica para protegê-lo da crítica? Coisa boa não tem medo de auditoria. O que tem medo de auditoria é negócio escuso. E é exatamente o que esse projeto secular sempre foi: um negócio escuso vestido de altruísmo, financiado com o seu dinheiro, executado por gente que nunca arriscou um centavo próprio, e blindado pelo monopólio da palavra bondade. O juiz disse o óbvio. O óbvio incomoda porque, depois de dito, não se desdiz mais.

Com informações da Mises Institute. A análise e opinião são do O Algoz.