Saiu mais um estudo apocalíptico, e o roteiro é o de sempre. Cientistas modelam cenários, modelos cospem gráficos coloridos, manchetes traduzem gráficos em pânico, e no fim da fila, milagrosamente, aparece um burocrata em Bruxelas, um lobista em Brasília e um gestor de fundo ESG em Nova York com a solução pronta na gaveta. Desta vez, a vítima da vez são as plantas. Habitats encolhendo, espécies desaparecendo, biodiversidade em colapso. A descrição do problema pode até ter algum lastro empírico, o que ninguém discute é o salto lógico que vem em seguida, do tipo: como o vegetal está sofrendo, você precisa pagar mais imposto, abrir mão da sua picape e aceitar que um conselho de notáveis decida quantos hectares o seu vizinho pode arar.

Repare na estrutura do argumento, porque ela se repete há cinquenta anos com personagens trocados. Nos anos setenta era a nova era do gelo. Nos oitenta era o buraco de ozônio. Nos noventa era a chuva ácida derretendo cidades. Cada profecia veio acompanhada de pacote regulatório, fundos multilaterais, conferências bilionárias e uma indústria inteira de consultores climáticos que nunca, em hipótese alguma, foram demitidos quando a previsão furou. O cemitério das catástrofes anunciadas é vasto, silencioso e cuidadosamente ignorado por quem agora pede fé na próxima rodada de modelos.

O ponto que ninguém quer enxergar é simples. Habitats não são planilhas, ecossistemas não são equações lineares, e nenhum comitê de doutores em Genebra tem informação suficiente para decidir o que plantar no cerrado, o que preservar na Amazônia ou quantos hectares deve ter a propriedade rural do Mato Grosso. Esse conhecimento está disperso entre o produtor que pisa a terra todos os dias, o vaqueiro que conhece o regime das chuvas há trinta anos, o pequeno agricultor que sabe qual semente brota e qual apodrece. Centralizar a decisão em painéis intergovernamentais não salva planta nenhuma, apenas transfere poder de quem produz para quem regula.

E aí vem a parte engraçada, aquela que os jornais econômicos jamais mostram. Siga o dinheiro. Quem fatura com a histeria botânica? Os mesmos de sempre. Fundos verdes que captam bilhões prometendo salvar samambaias. ONGs que vivem de doação estatal e repassam o cheque para campanhas políticas. Multinacionais agrícolas que adoram regulação ambiental porque ela esmaga o concorrente pequeno que não tem advogado de compliance. Governos que descobriram no clima o pretexto perfeito para aquilo que sempre quiseram: taxar tudo, controlar tudo, fiscalizar tudo, em nome de uma emergência que, convenientemente, nunca termina. O pequeno proprietário rural quebra, o gigante do agronegócio engole o vizinho, e o burocrata europeu publica relatório dizendo que a transição está indo bem.

O que não se vê nessa história é o agricultor africano impedido de usar fertilizante porque um diplomata em Paris achou poluente. É a família indiana sem geladeira porque o crédito de carbono encareceu a energia. É a criança brasileira sem proteína animal porque a carne virou inimiga pública num seminário em Davos. Cada hectare de mata salva à força tem como contrapartida invisível um pobre forçado a permanecer pobre, para que o consumidor consciente de Estocolmo durma tranquilo. A planta no relatório é fotogênica, o miserável real, não. Por isso ele sai da equação.

O bom senso, aquele que a sofisticação acadêmica passou a desprezar, diria que a natureza é robusta, que as espécies se adaptam, que o homem é parte do ecossistema e não um vírus, e que toda intervenção planetária desenhada por gente que nunca plantou um pé de alface deveria ser recebida com desconfiança redobrada. A liberdade econômica, a propriedade privada bem definida e o mercado livre fizeram mais pela conservação ambiental nos últimos dois séculos do que mil tratados internacionais. País rico preserva floresta, país pobre come a floresta. E país fica rico com mercado, não com comitê. O resto é teatro, e o ingresso desse teatro, lamento informar, está saindo do seu bolso.

Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.