João Fonseca entrou na quadra do BMW Open em Munique nesta terça-feira e fez exatamente o que se espera de quem não deve sua carreira a nenhum edital de incentivo: venceu. Alejandro Tabilo, o chileno que o havia derrotado nos dois confrontos anteriores, incluindo a eliminação em Buenos Aires no início do ano, levou 7/6(1) e 6/3 em uma hora e meia de jogo. Foram 21 winners de forehand em dois sets, o tipo de estatística que nenhum programa governamental de fomento ao esporte consegue fabricar em laboratório. Talento é assim, nasce onde quer, cresce onde deixam, e morre onde sufocam.
O próximo adversário é o francês Arthur Rinderknech, que Fonseca já bateu na semana passada em Monte Carlo. A partida está marcada para quarta-feira, com transmissão pela ESPN 2 e pelo Disney+ no plano Premium, além do Tennis TV. Para quem quer assistir a um brasileiro fazendo história no saibro europeu sem precisar de passaporte diplomático ou convite de embaixada, basta assinar um serviço de streaming, coisa que o mercado inventou para resolver um problema que a TV estatal nunca resolveu: entregar ao consumidor exatamente o que ele quer, quando ele quer.
O que impressiona na temporada 2026 de Fonseca não são as vitórias, são as derrotas. Olhe para quem o eliminou nos Masters: Jannik Sinner em Indian Wells, Carlos Alcaraz em Miami, Alexander Zverev em Monte Carlo. Ou seja, o garoto de 19 anos só perde para o topo absoluto do ranking mundial. Quando enfrenta qualquer um abaixo desse patamar, tritura. Em Monte Carlo, passou por Diallo, Rinderknech e Berrettini antes de cair nas quartas para o número dois do mundo. Somou 200 pontos e saltou cinco posições no ranking, chegando ao 35º lugar. O objetivo declarado é entrar em Roland Garros como cabeça de chave, o que exige estar no top 32. A matemática é simples, e ele está fazendo a lição de casa sem pedir socorro a fundo perdido.
Quer dizer, enquanto confederações esportivas brasileiras engolem verbas públicas como buracos negros administrativos, enquanto comitês se reúnem para decidir quem merece a migalha do contribuinte, enquanto deputados propõem leis de incentivo ao esporte que na prática incentivam apenas o escritório de advocacia que redige o projeto, Fonseca compete no circuito mais meritocrático do planeta. No tênis profissional não existe cota, não existe indicação política, não existe "equidade de resultados". Você entra na quadra, e ou ganha ou vai embora. O ranking é uma sentença aritmética que nenhum lobby altera. É o tipo de sistema que deveria servir de modelo para todo o resto, mas que a classe política brasileira finge não entender porque, se entendesse, teria que explicar para que serve.
O career-high de Fonseca é o 24º lugar, alcançado em novembro de 2025. Ele tem 19 anos. Para efeito de comparação, Gustavo Kuerten conquistou o primeiro Roland Garros aos 20. Ninguém está dizendo que Fonseca será o próximo Guga, porque comparações assim são o tipo de preguiça intelectual que a imprensa esportiva brasileira adora cometer. O que se pode dizer, com a frieza dos números, é que esse moleque está construindo uma carreira sólida no mercado mais competitivo e mais honesto que existe no esporte mundial, onde cada ponto vale exatamente o que vale e nenhum patrocinador estatal compra resultado. Se o Brasil quer entender como se forma um campeão, que olhe para Fonseca e perceba o óbvio: não foi o Estado que fez isso. Nunca é.
Com informações da InfoMoney. A análise e opinião são do O Algoz.