Quando a notícia estourou, a reação foi ensaiada com a precisão de quem já praticou este script antes. Quatro mulheres acusam Eric Swalwell de agressão sexual, uma delas alegando ter sido estuprada duas vezes por ele, e imediatamente os mesmos aliados que o construíram aparecem correndo para a câmera com o rosto de quem nunca o conheceu. Nancy Pelosi, que o bafejou, protegeu e promoveu dentro da máquina democrata californiana por mais de uma década, vai ao microfone para dizer que "as alegações são indefensáveis" e que é "hora de sair". Adam Schiff, idem. Hakeem Jeffries, idem. O senador Ruben Gallego, que presidia a própria campanha de Swalwell para governador da Califórnia, idem. Todos chocados. Todos indignados. Nenhum surpreso, porque surpresa exige ignorância prévia, e ignorância é exatamente o que nenhum deles pode alegar.

Esta é a dinâmica clássica da máquina política progressista: você fabrica o político, empurra-o para cima, cobre seus vícios com verniz de causas nobres, e quando ele se torna embaraço demais para carregar, o entrega ao tribunal da opinião pública como se isso fosse um ato de coragem moral. Não é coragem. É descarte higiênico. O fazendeiro não chora o boi que foi para o matadouro. Pelosi não está destruindo Swalwell por princípio. Está descartando uma peça que travou a engrenagem numa hora inconveniente.

O que torna este caso particularmente revelador não são as acusações em si, por mais graves que sejam, e elas são graves. O que revela o caráter do arranjo é o que Pelosi escolheu não fazer quando ainda tinha razões para protegê-lo. Convém lembrar que Swalwell foi envolvido num escândalo com uma agente de inteligência chinesa conhecida como Fang Fang, que cultivou relacionamentos com políticos americanos como parte de uma operação de influência do Partido Comunista Chinês. A própria comunidade de inteligência dos Estados Unidos alertou Swalwell sobre a situação. A resposta racional, quando você descobre que um membro da Comissão de Inteligência da Câmara foi alvo de espionagem estrangeira, é removê-lo da comissão. Pelosi bloqueou isso. O homem potencialmente comprometido por uma espiã de Pequim continuou sentado na Comissão de Inteligência porque Pelosi o quis lá. A pergunta "por quê?" é mais interessante do que qualquer resposta que você vai encontrar na CNN.

E então chegamos ao ponto mais delicioso, no sentido mais amargo da palavra. Eric Swalwell foi um dos mais vorazes megafones do movimento "acredite nas mulheres" que a esquerda americana brandiu como tocha durante anos. O mesmo congressista que usava cada acusação contra adversários republicanos como prova irrefutável de caráter execrável, que transformou audiências parlamentares em circo de indignação performática, que construiu sua identidade política sobre a retórica de proteção às vítimas, agora está do outro lado da acusação e, pasmem, hesitou em sair da corrida. Ficou. Respondeu. Disputou. A teoria do "acredite nas mulheres" tem, ao que parece, uma cláusula de exceção quando o acusado é titular de cargo útil ao partido.

A Califórnia inteira assistiu a isso sem se surpreender, porque a Califórnia progressista já aprendeu a não se surpreender com a distância entre o discurso e a prática de seus representantes. A máquina política que controla Sacramento e a bancada democrata federal funciona como qualquer outra burocracia: recompensa lealdade, pune dissidência, cobre o que precisa ser coberto, e descarta quando o custo político do encobrimento supera o benefício do aliado. Swalwell chegou ao ponto de descarte. Ponto final.

O que fica desta história não é o escândalo de um homem, por mais repugnante que seja o que lhe é imputado. O que fica é o retrato de um sistema que cria figuras assim, as usa enquanto servem, as projeta como heróis morais enquanto conveniente, e depois as oferece ao altar da opinião pública como prova de que "o sistema funciona". O sistema não funcionou. O sistema produziu o problema e agora encena a solução. São os mesmos atores, no mesmo palco, com o mesmo diretor nos bastidores, mas com falas diferentes porque a peça mudou de ato. Quem criou o monstro não merece crédito por pegar o garfo.

Com informações do ZeroHedge / jonathanturley.org. A análise e opinião são do O Algoz.