A NuScale disparou na sessão e o motivo é prosaico ao ponto do constrangimento: o mercado enfim colocou na planilha o que qualquer engenheiro honesto vinha dizendo há anos, que rodar um data center de inteligência artificial com energia solar é como tentar abastecer uma siderúrgica com bicicleta ergométrica. Os small modular reactors, os famosos SMRs, viraram de repente a queridinha dos gestores porque a matemática do consumo elétrico das big techs bateu de frente com a fantasia da transição verde subsidiada.

Olha, é fascinante ver o mesmo Wall Street que passou uma década desviando capital para ESG agora correndo atrás de urânio enriquecido como se tivesse descoberto o fogo. A NuScale sobreviveu ao inverno regulatório americano por um motivo simples, resistiu tempo suficiente para que a realidade física se impusesse sobre a narrativa política. Reator não pede licença ao clima, não depende de vento soprar na hora certa, não para quando anoitece. Produz energia densa, contínua, previsível, aquilo que uma civilização industrial séria exige e que os burocratas de Bruxelas passaram trinta anos fingindo que era dispensável.

Quer dizer, siga o dinheiro e a trama se ilumina. Bilhões em subsídios foram torrados em parques eólicos que precisam de backup a gás para funcionar, em painéis solares fabricados por trabalho escravo uigur, em créditos de carbono que enriqueceram consultores e não abaixaram um grau da temperatura global. Enquanto isso, a tecnologia nuclear, que resolveu o problema energético da França nos anos setenta, ficou congelada por pânico ideológico patrocinado por lobistas do petróleo travestidos de ambientalistas. Agora que Microsoft, Amazon e Google precisam de gigawatts para treinar seus modelos, adivinhe quem descobriu que o átomo é limpo.

O que ninguém quer dizer é que essa alta da NuScale é a fatura tardia de uma catástrofe de alocação de capital. Cada dólar que o Departamento de Energia empurrou para hidrogênio verde, para captura de carbono, para tecnologias que não fecham conta sem mamata perpétua, foi um dólar que não financiou reator de quarta geração, que não desenvolveu ciclo de tório, que não construiu a infraestrutura nuclear que os Estados Unidos precisariam ter hoje pronta. O planejador central errou, como sempre erra, porque não existe cérebro humano capaz de substituir os milhões de sinais de preço que o mercado livre produz quando não é sabotado.

Me diz uma coisa, quantos empresários foram chamados de negacionistas por apontar que a matriz elétrica alemã virou piada continental depois do desligamento das usinas nucleares? Quantos analistas foram cancelados por dizer que a Califórnia apagava porque decidiu que o átomo era pecado? A alta da NuScale não é notícia técnica, é veredicto histórico. É o mercado, esse velho tribunal impiedoso, sentenciando que a fantasia acabou e que hora de pagar a conta de trinta anos de romantismo verde financiado por imposto.

E aqui vai o detalhe delicioso, os mesmos fundos que assinavam manifestos contra a energia nuclear em 2019 agora compram NuScale a preço de urgência. Não porque converteram-se à razão, mas porque perceberam que ficar de fora significa perder o trem. Assim funciona o capitalismo real quando o Estado tira o pé do freio, a realidade volta a mandar e as ilusões se dissolvem em relatório trimestral. A pergunta que fica é quantos anos de progresso energético a humanidade perdeu enquanto burocratas europeus e ativistas americanos brincavam de salvar o planeta com moinho de vento.

Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.