Existe uma pergunta que o brasileiro médio faz no supermercado, no posto de gasolina e na farmácia com uma frequência que já se tornou ritual de humilhação econômica: por que tudo subiu de preço? A resposta honesta cabe em uma linha, mas leva décadas de educação econômica equivocada para ser desaprendida. A moeda perdeu valor porque alguém autorizou que perdesse. Fim da história. O resto é narrativa de jornalista econômico com fonte no Ministério da Fazenda.

Toda vez que o governo gasta mais do que arrecada, a diferença tem que vir de algum lugar. Pode vir de imposto, que é declarado e impopular. Pode vir de dívida, que é adiado e passa a conta para os filhos. Ou pode vir da expansão monetária, que é invisível e engenhosa, porque o cidadão não entende de onde veio o aumento da sua cesta básica, culpa o supermercado, culpa o caminhoneiro, culpa a seca, e o responsável real sai ileso de paletó engomado para a próxima coletiva de imprensa. A inflação é o imposto mais democrático que existe: paga mais quem tem menos reservas, quem não tem imóvel para valorizar, quem vive de salário fixo e não tem como repassar custo a ninguém. É uma redistribuição de renda ao contrário, operada em silêncio, abençoada pelo mesmo Estado que diz combatê-la.

A cada novo programa social, a cada novo subsídio, a cada nova linha de crédito subsidiado, existe um custo que não aparece no anúncio do Palácio. Não aparece porque não é intenção que apareça. O que você vê é a foto do beneficiário satisfeito. O que você não vê é o empresário que não contratou por causa do encargo tributário que financiou aquele benefício, o aposentado que perdeu poder de compra com o IPCA oficial suavizado, o jovem que não consegue alugar apartamento porque o crédito subsidiado para construtoras inflacionou o metro quadrado de toda a cidade. Cada benefício visível carrega uma destruição invisível. Sempre. Sem exceção. Desde que o mundo é mundo e os governos são governos.

A máquina estatal é o intermediário mais ineficiente que a humanidade já inventou. Ela pega um real do contribuinte, passa por dezesseis instâncias burocráticas, paga salário de especialista para decidir onde alocar o que sobrou, e entrega quarenta centavos para o destinatário final. O restante chama-se custo de administração, mas poderia se chamar pelo nome real: perda planejada. E no final do processo, o beneficiário agradece ao governante, e o governante agradece ao eleitor pela compreensão, e o sistema se fecha em torno de uma mentira que todos concordaram em não examinar de perto. Não existe almoço grátis, e a metáfora é literal: o que o governo distribui de graça custou, custa e custará mais do que valia na prateleira.

A boa notícia, se é que existe uma, é que perguntas simples estão sendo feitas por gente jovem que não foi domesticada pela liturgia universitária do intervencionismo inevitável. Quando estudantes de economia se reúnem para debater por que viver ficou mais caro e fazem isso fora das câmaras de eco acadêmicas, algo está funcionando. A resposta que vão encontrar, se forem intelectualmente honestos, é a mesma que os mercados sinalizam toda manhã e que os governos ignoram toda tarde: preço é informação, e quando você falsifica a informação, o sistema inteiro mente junto. Falsifique os juros, e o empresário investe no projeto errado. Falsifique a moeda, e o trabalhador negocia salário com base em poder de compra que já não existe. Falsifique os preços, e o produtor para de produzir ou vai embora. É mecânico. É inevitável. É o que está acontecendo.

Viver ficou mais caro porque o custo da intervenção foi repassado para você, que provavelmente não votou nela, não pediu por ela e não a compreende em toda a sua extensão. A pergunta não é se o governo vai parar de fazê-lo, porque não vai, enquanto houver votos a ganhar com a generosidade alheia. A pergunta é quando o eleitor vai entender que toda vez que aplaude um subsídio, está aplaudindo o próximo aumento do seu aluguel.

Com informações do Mises Brasil. A análise e opinião são do O Algoz.