A Puig Brands, dona de Carolina Herrera, Rabanne, Jean Paul Gaultier e Charlotte Tilbury, fechou o primeiro trimestre de 2026 com crescimento de 4,7% em receita, mesmo levando uma surra do dólar fraco e do iene depreciado. Em moeda constante, o avanço foi ainda mais robusto, algo na casa dos dois dígitos baixos, conforme a própria companhia comunicou ao mercado. Quer dizer, a empresa cresceu fazendo o que sempre se fez: produto bom, marca forte, distribuição global e gente que sabe vender desejo em frasco de 100ml. Nada de subsídio, nada de incentivo, nada de pacote de socorro. Só competência.

Olha, é fascinante observar como a imprensa econômica trata um resultado desses. O título universal é sempre o mesmo: cresceu apesar dos ventos contrários cambiais. Como se o câmbio fosse uma divindade caprichosa, um fenômeno meteorológico aleatório, uma fatalidade contra a qual o pobre empresário luta heroicamente. Mentira. O câmbio é consequência direta de decisão de banco central, de impressão monetária, de política fiscal irresponsável de governos que gastam mais do que arrecadam e depois pedem para o presidente do BC dar um jeito. O vento contrário não cai do céu. Sai da gráfica do tesouro.

Me diz uma coisa: por que justamente uma fabricante de perfume consegue navegar essa tempestade enquanto setores inteiros, devidamente protegidos por tarifas, subsídios e regulações sob medida, vivem pedindo socorro? Porque a Puig opera num dos poucos nichos onde o consumidor ainda decide com o bolso e o nariz, sem intermediação de comitê. Você gosta do cheiro, você compra. Você não gosta, a empresa quebra. Simples assim. É o tipo de disciplina que aterroriza burocrata, porque expõe a verdade que ele passa a vida tentando esconder: o mercado não precisa de tutor, precisa de espaço.

E aqui entra o detalhe que ninguém quer comentar. A Europa, que produziu a Puig e dezenas de gigantes parecidas, está justamente dilapidando esse patrimônio com a mão pesada da regulação verde, da taxação punitiva e da obsessão por “coordenar” mercados que sempre funcionaram melhor descoordenados. Cada euro de imposto novo é um euro a menos em pesquisa, em distribuição, em emprego. O continente que inventou o luxo moderno está aprendendo, na marra, que ninguém compra perfume de país falido. A China sabe disso. O Oriente Médio sabe disso. Só Bruxelas finge que não.

Repare também na geografia do crescimento da empresa. Estados Unidos forte, América Latina forte, Ásia em recuperação. Europa? Mornidão. O continente do bem-estar social, das férias de cinco semanas, da aposentadoria aos cinquenta e poucos e da carga tributária que devora metade do que se produz, esse continente já não consegue nem consumir o próprio luxo no ritmo de antes. O cidadão europeu médio está mais pobre do que era há dez anos em poder de compra real, e isso não é coincidência. É política pública dando o resultado prometido por quem entendia de economia há cento e cinquenta anos atrás.

A moral do trimestre da Puig é a mais antiga moral do capitalismo, aquela que os palácios sempre fingem ignorar: empresa boa cresce até no mau tempo, e empresa ruim quebra até no bom. O câmbio não cria nem destrói riqueza, apenas revela quem tinha substância e quem vivia de aparência. Quando o próximo ministro da fazenda de plantão vier explicar que o setor X precisa de “ajuda” por causa da volatilidade global, lembre-se desse perfume espanhol que faturou 1,2 bilhão de euros em três meses sem pedir licença a ninguém. O resto é conversa para justificar o roubo travestido de política industrial.

Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.