A Tigo Energy fechou o primeiro trimestre de 2026 com receita 33,7% maior que no mesmo período do ano anterior, e a notícia chega num momento curioso: enquanto burocratas do mundo inteiro discutem quantos bilhões precisam ser arrancados do contribuinte para "viabilizar a transição energética", uma empresa de tecnologia para painéis solares cresce sozinha, vendendo otimizadores de potência e sistemas de monitoramento para gente que decidiu, por conta própria, que vale a pena gastar com energia limpa. Quer dizer, o mercado estava lá o tempo todo. Bastava deixar funcionar.
O detalhe que ninguém da imprensa econômica vai destacar é o seguinte: o produto da Tigo não depende de o governo resolver nada. É um pedacinho de eletrônica que se conecta ao painel solar e aumenta a eficiência do sistema. Quem compra é quem quer reduzir a conta de luz, quem quer escapar das oscilações da rede, quem está cansado de pagar bandeira tarifária vermelha enquanto o setor elétrico nacional discute por que não se planejou para o óbvio. A demanda nasce do consumidor real, não de uma planilha de metas climáticas redigida em Bruxelas.
Olha, é instrutivo comparar com o destino das empresas que dependem do bafo do Estado para respirar. As campeãs nacionais escolhidas pelos burocratas de plantão, sustentadas por crédito subsidiado, isenção fiscal customizada e reserva de mercado, vivem um ciclo previsível: nascem com fanfarra, crescem inchadas, viram cabide de emprego político e morrem deixando rombo. Já a empresa que tem que convencer o cliente todo santo dia a entregar o próprio dinheiro voluntariamente desenvolve um músculo que nenhuma estatal jamais teve, o músculo de produzir algo que alguém efetivamente queira.
E aqui aparece a beleza silenciosa do sistema de preços que a turma do planejamento central nunca entendeu. Ninguém em uma sala fechada decretou que a Tigo deveria crescer 33,7%. Milhões de decisões individuais, espalhadas pelo planeta, foram somando sinais até o estoque acabar antes do esperado e a engrenagem industrial responder. É a tal ordem que ninguém projetou e que funciona melhor justamente porque ninguém projetou. O burocrata, com toda sua sofisticação acadêmica, jamais teria a coragem de apostar nessa empresa específica, neste trimestre específico, com esta margem específica. Faltaria a ele a única coisa que importa: o conhecimento real, disperso, vivo, do consumidor que clica para comprar.
Repare também no que não se vê neste número. Cada real de receita da Tigo é um real que não foi extraído via imposto para sustentar um programa de incentivo solar federal. É um real que circulou sem que três camadas de fiscal, de auditor e de gestor público tivessem a chance de tirar a sua mordida pelo caminho. É a economia real fazendo aquilo que o discurso oficial promete fazer e nunca consegue, gerar valor sem destruir riqueza alheia. Multiplique este pequeno milagre por todas as empresas honestas que crescem sem mamadeira estatal e você terá uma ideia do que poderia ser este país se largassem o mercado em paz.
Resta, claro, a moral da história, que é antiga e ninguém quer ouvir. Quando a tecnologia é boa, o produto resolve, o preço fecha e a entrega acontece, ninguém precisa convencer o cliente com propaganda governamental nem ameaçá-lo com multa por descumprimento de meta. Cresce 33,7% e ponto. O resto é ruído. A próxima vez que algum candidato aparecer prometendo um plano nacional de qualquer coisa para "fomentar o setor X", lembre-se da Tigo. Ela cresceu enquanto o plano dele ainda estava sendo digitado.
Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.