A IMI plc, fabricante britânica de equipamentos de fluidos e automação industrial, fechou o primeiro trimestre de 2026 com crescimento de receita e margens preservadas, mesmo com o Oriente Médio fervendo em sanções, bloqueios marítimos e a habitual diplomacia da pólvora. Quer dizer, no script oficial dos profetas do colapso, uma empresa exposta a energia, petroquímica e infraestrutura industrial deveria estar de joelhos. Está faturando. E está faturando exatamente porque faz algo que ministério nenhum sabe fazer: entregar peça que funciona, no prazo, para quem precisa.

Olha, há uma lição embutida nesse balanço que os colunistas da imprensa econômica vão fingir não ver. Crise geopolítica não destrói riqueza no sentido em que eles imaginam, com aquele ar grave de quem descobriu a pólvora ontem. O que destrói riqueza é o intervencionismo que vem depois, o tabelamento, o controle cambial, o congelamento de ativos, a sanção cruzada que pune o terceiro inocente. A IMI cresce porque opera num nicho onde substituir o fornecedor custa caro e demora, e onde o cliente final, refinaria, petroquímica, planta de dessalinização, precisa do equipamento para ontem. É o tipo de mercado que sobrevive ao caos justamente porque o caos aumenta a demanda por confiabilidade.

Me diz uma coisa, por que ninguém pergunta de onde vem essa resiliência? Vem de décadas de capital acumulado, engenharia paciente, reputação construída tijolo por tijolo, e da feliz circunstância de a empresa estar sediada num país que, com todos os seus pecados regulatórios recentes, ainda preserva contratos, propriedade e a noção elementar de que quem produz tem direito ao fruto do que produziu. Compare com qualquer república bolivariana de gabinete que insiste em tratar empresa privada como repartição auxiliar do tesouro e o resultado salta aos olhos. Onde se respeita propriedade, há válvula sendo fabricada. Onde se confisca, há fila no supermercado.

Siga o dinheiro do balanço e a coisa fica ainda mais reveladora. A receita cresce em segmentos ligados a transição energética, automação de processos e controle de água, justamente os setores onde governos do mundo inteiro despejam subsídio a rodo prometendo salvar o planeta. A IMI vende a pá numa nova corrida do ouro fabricada por decreto, e fatura honestamente vendendo a pá. A pergunta incômoda, aquela que ninguém quer fazer em mesa redonda da CNBC, é se o crescimento se sustenta quando o subsídio acabar, ou se estamos diante de mais uma bolha verde inflada por crédito barato e mandato regulatório. Por enquanto, a empresa entrega. Por enquanto.

O ponto que interessa ao leitor brasileiro, esse cidadão sitiado por uma carga tributária digna de monarquia absolutista e por um Banco Central que ainda se ilude pensando que controla a inflação mexendo na Selic como quem mexe num termostato, é entender que existe um mundo lá fora produzindo coisa séria. Enquanto Brasília debate se taxa dividendo, se cria mais um imposto sobre o que já foi tributado três vezes, se inventa novo programa social para comprar voto na eleição que vem, uma fábrica em Birmingham embarca compressor para uma refinaria no Golfo. Um cria riqueza, o outro a redistribui até evaporar. Não é mistério qual dos dois modelos paga as contas no fim do mês.

O recado do trimestre da IMI é simples e brutal ao mesmo tempo. Capital produtivo é covarde, foge do barulho regulatório, e procura jurisdição que o respeite. Toda vez que um governo decide brincar de planejador, alguém em algum canto do mundo está silenciosamente aumentando produção, contratando engenheiro e pagando dividendo. A geopolítica faz manchete, mas é o livro contábil que conta a história verdadeira. E o livro contábil dessa empresa, neste trimestre, está dizendo em letras garrafais aquilo que os ideólogos do Estado grande se recusam a ler: produção é produção, e nenhum decreto a substitui.

Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.