O Índice MOEX Russia avançou 0,46% no pregão desta sessão, e o dado, pequeno em aparência, é constrangedor em substância. Faz quatro anos que ministros europeus prometem, em coletiva atrás de coletiva, que o próximo pacote de sanções vai finalmente quebrar a economia russa. Quatro anos. E a bolsa de Moscou continua abrindo, fechando, oscilando e, no acumulado, sobrevivendo com uma insolência que os planejadores centrais de Bruxelas não sabem explicar sem recorrer a eufemismos.

Olha, quando um burocrata decide, sentado numa sala com ar-condicionado, que vai isolar economicamente um país de 144 milhões de habitantes, oitavo maior PIB do planeta em paridade de compra, terceiro maior produtor de petróleo, primeiro em gás natural e trigo, ele está fazendo o que todo planejador central sempre fez: ignorando o conhecimento disperso de milhões de agentes econômicos que vão, imediatamente, encontrar rotas alternativas. Os russos não pararam de vender petróleo. Encontraram a Índia, encontraram a China, encontraram intermediários turcos, encontraram frotas fantasmas. O mercado, esse organismo teimoso, roteou o fluxo ao redor da barreira como água contorna pedra.

E aqui vale a pergunta que nenhum jornal europeu quer fazer: quem realmente pagou a conta das sanções? O consumidor alemão que viu sua conta de energia triplicar. O industrial italiano que perdeu competitividade. O agricultor francês. Enquanto isso, a receita russa com hidrocarbonetos, medida em rublos, quebrou recordes em 2024 e segue firme em 2026. Siga o dinheiro e você verá que a sanção destinada a punir o Kremlin acabou funcionando como imposto sobre o eleitor ocidental, com o bônus involuntário de acelerar a desdolarização do comércio global. Bela obra de engenharia geopolítica.

O detalhe delicioso é que o rublo, que os analistas de banco previram em queda livre até virar papel de embrulho, se estabilizou. As reservas em ouro do Banco Central russo dispararam. O comércio com o BRICS ampliado cresceu em ritmo que constrange as projeções do FMI. E o índice MOEX, que deveria estar em ruínas segundo a narrativa oficial, sobe hoje 0,46%, ontem outros tantos, amanhã veremos. Não é boom, não é milagre, é apenas a resposta silenciosa de uma economia real que se recusa a morrer conforme o script.

A lição que ninguém quer aprender é antiga, quase entediante de tão repetida pela história: sanções econômicas amplas quase nunca derrubam regimes, quase sempre fortalecem-nos internamente ao dar ao governante o pretexto perfeito para culpar o inimigo externo por qualquer dificuldade doméstica, e invariavelmente empobrecem tanto o sancionador quanto o sancionado. Cuba resiste desde 1962. Irã desde 1979. Coreia do Norte desde sempre. Venezuela continua lá. A diferença é que Rússia tem petróleo, gás, trigo, urânio, níquel, paládio e uma bolsa que fecha em alta enquanto Bruxelas prepara o vigésimo pacote de medidas inúteis.

No fim, o MOEX subindo 0,46% num dia qualquer diz mais sobre a falência do planejamento geopolítico ocidental do que qualquer análise de conjuntura. Quando o remédio mata o médico e o paciente sai andando, talvez seja hora de rever o diagnóstico. Ou continuar prescrevendo, porque admitir o erro custa mais caro que perpetuá-lo.

Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.