Em 28 de fevereiro de 2026, aviões americanos e israelenses cruzaram o espaço aéreo iraniano sob o nome de guerra mais revelador que o Pentágono já produziu: Operação Épica Fúria. Fúria, sim. Épica, talvez. Raciocínio estratégico, nenhum. Em pouco mais de trinta dias, a operação já havia consumido 45 bilhões de dólares do contribuinte americano, a um ritmo constante de 1 bilhão por dia. Para quem gosta de números com contexto: isso é o equivalente a garantir plano de saúde por um ano para 1,3 milhão de americanos, a cada doze dias. Não que o governo americano fosse fazer isso de qualquer forma, mas é útil saber o que está sendo trocado por o quê.

O primeiro efeito concreto da guerra foi o fechamento do Estreito de Ormuz, corredor pelo qual passa cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo. A Agência Internacional de Energia chamou de "a maior interrupção de fornecimento na história do mercado global de energia". O barril, que estava em 72 dólares, foi direto para 112. A gasolina nos postos americanos subiu entre 20 e 30 centavos por galão da noite para o dia, tirando de 4 a 6 bilhões de dólares adicionais do bolso das famílias, que não votaram em nenhuma guerra e não ganharam nenhum contrato de defesa. O tungstênio triplicou de preço desde dezembro. O ácido sulfúrico subiu 30%. Quando se fecha o ponto de passagem de um quinto do petróleo mundial, o aumento do preço da gasolina não é "consequência colateral", é o mecanismo. É a guerra chegando na sua vida pelo único canal que ela sempre usa quando quer que você não perceba: o preço.

Tem uma ilusão antiga, tão velha quanto os primeiros impérios e tão resistente quanto a estupidez humana organizada, que diz que a guerra aquece a economia. Que mísseis lançados geram demanda, que navios afundados criam empregos na indústria naval, que destruição é, no fundo, um investimento. Todo estudante de história que não dormiu na aula sabe o que aconteceu com os impérios que acreditaram nessa tese: Roma no século III, a Espanha do século XVII, a Grã-Bretanha depois de 1945. A destruição não cria riqueza, ela a redistribui para os contratados e a destrói para todos os demais. O que se vê é o emprego na fábrica de munições em Ohio. O que não se vê é a empresa de exportação que faliu porque o frete pela Rota do Cabo encareceu 40%, o agricultor que não consegue financiamento porque o Tesouro está sugando toda a liquidez do mercado, o assalariado que perdeu poder de compra porque o petróleo caro contaminou toda a cadeia de preços.

Siga o dinheiro. Sempre siga o dinheiro. A projeção oficial do custo total da operação já foi de 80 a 100 bilhões de dólares em gastos militares diretos, com analistas independentes estimando impacto econômico total entre 115 e 210 bilhões. Esses contratos têm endereço. Têm CNPJ. Têm lobistas que almoçam em Washington e dormem tranquilos. O contribuinte americano médio, que já carregava o peso de uma inflação persistente, de tarifas sobre importações e de um mercado de trabalho em deterioração, acordou em março pagando mais pela gasolina, mais pelo frete, mais pela energia, para financiar uma operação cujos objetivos estratégicos, seis semanas depois, continuam tão nebulosos quanto eram no primeiro dia. Quando a conta é pública e o benefício é privado, não é política externa. É um outro nome para algo que todas as civilizações já conheceram muito bem, só que antigamente se chamava pelo nome certo.

O que torna tudo mais exasperante é o contexto doméstico americano no momento da decisão. A economia dos Estados Unidos entrava em 2026 já com três problemas sérios sobre a mesa: tarifas que encareceram importações e alimentaram inflação, inflação que resistia às tentativas do Fed de controlá-la sem matar o crescimento, e emprego em queda setorial em vários estados industriais. Era o pior momento possível para impor um choque de oferta energética global. Era exatamente o momento em que qualquer líder com discernimento mínimo evitaria adicionar uma variável de risco dessa magnitude ao sistema. O governo fez o oposto, abriu uma nova frente de instabilidade geopolítica enquanto os Houthis declaravam guerra formal em 28 de março, ampliando o teatro de operações para o Mar Vermelho e inviabilizando a rota pelo Canal de Suez para embarcações comerciais. Agora os navios fazem o caminho pelo Cabo da Boa Esperança, como faziam no século XVI, e o custo do frete global paga a conta.

Julgue qualquer homem público pelo que ele faz, não pelo que ele diz. Havia um discurso, repetido em campanha e nos primeiros meses de mandato, de que os Estados Unidos estavam cansados de guerras que não eram suas, de sangue derramado em desertos distantes a serviço de interesses que nunca ficaram completamente claros para quem foi convocado a derramá-lo. Esse discurso era popular porque continha uma verdade. A Operação Épica Fúria enterrou esse discurso a 1 bilhão de dólares por dia, com jatos stealth e munições de precisão que custam mais por unidade do que a maioria das famílias americanas ganha em uma vida. A conta não vai para quem lançou os mísseis. Vai para quem abasteceu o carro essa semana.

Com informações do Mises Institute. A análise e opinião são do O Algoz.