Toda vez que muda o ocupante da cadeira mais poderosa do dinheiro mundial, surge a mesma encenação patética. Analistas de terno, jornalistas de gravata e economistas de planilha discutem se o próximo presidente do banco central americano será mais "hawkish" ou mais "dovish", se vai cortar um quarto de ponto aqui, segurar meio ponto ali, como se o destino da humanidade dependesse da inflexão de voz com que um burocrata anuncia o roubo do trimestre. É teatro. É distração. É a velha técnica do mágico que move a mão direita para você não enxergar o que a esquerda está fazendo.

O fato concreto, aquele que nenhum economista de banco vai dizer no Jornal Nacional, é simples e brutal. Em 1913, quando aquela instituição foi criada sob a promessa solene de estabilizar a moeda e proteger o poder de compra do cidadão, um dólar comprava algo. Hoje, o mesmo dólar compra praticamente nada. O poder de compra evaporou em mais de noventa e cinco por cento. Isso não é falha. Isso não é efeito colateral. Isso é o produto. A função real da instituição, descoberta pela amarga experiência de quatro gerações, é financiar o gasto descontrolado do governo através da impressora, transferindo silenciosamente riqueza de quem poupa para quem se endivida, de quem trabalha para quem governa, de quem produz para quem distribui.

Quer dizer, é o golpe perfeito porque a vítima não sente a mão no bolso. Quando o ladrão entra na sua casa e leva a televisão, você chama a polícia. Quando o ladrão imprime trilhões e faz com que sua televisão custe o dobro no ano seguinte, você chama de "conjuntura macroeconômica" e agradece ao economista de plantão pela explicação técnica. A inflação é, sempre foi e sempre será um fenômeno monetário, ou seja, uma decisão política travestida de fatalidade natural. Não existe inflação de custos, não existe inflação de demanda, não existe inflação climática nem inflação cósmica. Existe governo gastando o que não tem e banco central fabricando o que não vale.

Siga o dinheiro e o quadro se ilumina. Quem ganha com a impressora ligada? Primeiro, o Tesouro, que financia guerras eternas, programas eleitoreiros e burocracias inchadas sem precisar enfrentar o constrangimento de subir impostos abertamente. Segundo, os bancos sistemicamente importantes, primeiros a receber o dinheiro novo enquanto ele ainda vale alguma coisa, antes que os preços se ajustem na ponta. Terceiro, o complexo industrial-militar, eternos clientes preferenciais do contribuinte involuntário. E quem perde? O assalariado, o aposentado, a dona de casa que viu o quilo de carne dobrar, o pequeno empresário que não consegue calcular o custo do estoque para o próximo trimestre. A mágica é redistribuir de baixo para cima e chamar isso de política monetária técnica.

Trocar a feiticeira por outro feiticeiro não desfaz o feitiço. A questão nunca foi quem ocupa a cadeira, mas a existência da cadeira em si, uma instituição que monopoliza a emissão de moeda e tem como mandato simultâneo o pleno emprego e a estabilidade de preços, dois objetivos contraditórios que servem de álibi perfeito para fazer o que quiserem. Ordem espontânea, dinheiro escolhido livremente pelas pessoas ao longo dos séculos, lastro em algo que não se cria do nada, tudo isso foi destruído em nome de uma elite iluminada que supostamente sabe melhor que milhões de indivíduos como organizar a economia. É a mesma arrogância do planejador central socialista, só que vestido de Brooks Brothers e falando inglês de Princeton.

Enquanto o brasileiro discute se o Banco Central daqui deveria ou não ser independente, vale lembrar que independência de quem e para quê. Independência do voto popular para servir melhor aos credores internacionais não é independência, é terceirização da soberania. O remédio nunca virá de dentro do sistema que produziu a doença. Virá quando as pessoas redescobrirem que dinheiro de verdade é aquilo que ninguém pode imprimir, e que toda promessa governamental de estabilidade monetária é, historicamente, o prelúdio de mais uma rodada de confisco silencioso. A bruxa pode mudar de roupa, mas a vassoura continua sendo a sua poupança.

Com informações da Mises Institute. A análise e opinião são do O Algoz.