A choradeira começou no minuto seguinte ao anúncio. Cortar a USAID, dizem os comentaristas de sempre, vai matar milhões de famintos pelos cantos do planeta. Repetem o argumento com a solenidade de quem nunca abriu uma planilha de gastos da agência, porque se tivessem aberto, descobririam o segredo malguardado de Washington, a tal "ajuda humanitária" era, antes de qualquer coisa, um programa robusto de emprego para a classe profissional do progressismo americano e seus satélites espalhados pelo mundo. O dinheiro saía do bolso da costureira do Texas e chegava ao consultor de gênero em Bangcoc, com escala obrigatória nas ONGs amigas, nos institutos parceiros e nas consultorias com nome de virtude.

Olha, o truque é antigo e funciona porque ninguém fiscaliza o que parece bondade. Você cria uma agência, batiza com a palavra "desenvolvimento", anexa o adjetivo "internacional", e pronto, qualquer crítica vira sinal de crueldade. O contribuinte que ousar perguntar para onde foi o dinheiro será chamado de inimigo dos pobres, mesmo que os pobres em questão jamais tenham visto um centavo da verba que supostamente os salvaria. O que se vê é a foto da criança africana com a mãozinha estendida; o que não se vê é o salário de seis dígitos do diretor de programa, o aluguel do escritório em Washington, a passagem executiva, o seminário em Genebra, a consultoria que escreveu o relatório que justificou a próxima rodada de financiamento.

Quer dizer, sigamos o dinheiro com calma. Uma fração risível do orçamento da agência chega de fato como comida, vacina ou poço de água em aldeia esquecida. O grosso fica retido na engrenagem burocrática que existe para se autoperpetuar, contratando o filho do deputado, a esposa do senador, a militante recém-formada em estudos de gênero que precisava de um cargo digno do seu currículo ideológico. O resultado é uma máquina que produz papelada, índices, métricas inventadas e relatórios que ninguém lê, tudo financiado por um governo que não tem o dinheiro, pega emprestado, e quando não consegue pegar emprestado o suficiente, manda o banco central imprimir. A inflação que corrói a poupança da viúva americana é o imposto invisível que sustenta o ativista de quatro continentes.

E há o aspecto mais sinistro, que os defensores da agência fingem não enxergar. A USAID nunca foi neutra. Era ferramenta de exportação ideológica, financiando ONGs que pressionavam governos estrangeiros a adotar agendas que nenhum eleitor local jamais aprovou nas urnas. Aborto onde a cultura rejeitava, ideologia de gênero onde a tradição resistia, jornalismo militante onde a imprensa local incomodava o establishment global. Tudo embrulhado no celofane da "sociedade civil organizada", expressão deliciosa que designa, na prática, um pequeno cartel de profissionais bem pagos para falar em nome de povos que nunca os elegeram. A cerca foi construída por uma razão; entender a razão é pré-requisito para discutir se a cerca deve cair.

Me diz uma coisa, alguém realmente acredita que cortar essa estrutura vai produzir o apocalipse anunciado? A caridade privada, as igrejas, as fundações genuínas, os mercados que tiram nações inteiras da pobreza quando deixam de ser sufocados por tarifas e sanções, tudo isso continuará existindo e funcionando melhor sem o competidor estatal subsidiado. O que vai morrer é o cargo, o crachá, o status, o sentimento confortável de estar salvando o mundo enquanto se cobra hora de consultoria em dólar forte. E é exatamente por isso que o coro do pranto soa tão ensaiado, não é a fome do etíope que aflige o colunista do New York Times, é o emprego do amigo que tinha um cargo simpático na agência.

O fim das ilusões é sempre doloroso para quem vivia delas. Que se acostumem. A festa acabou, e a conta, como sempre, era nossa.

Com informações do Mises Institute. A análise e opinião são do O Algoz.