A Vivakor concluiu a emissão de notas conversíveis em esforços restritos no valor de doze milhões de dólares e o mercado foi informado da operação como se tratasse de uma conquista. Não é. É o tipo de transação que se faz quando o caixa está apertado, o banco já fechou a porta e o jeito é apelar para investidores institucionais selecionados que aceitam papel híbrido em troca de proteção contra o risco de quebra. Esforço restrito, em bom português, significa que a empresa não tinha condição de ir ao mercado aberto sem expor fragilidade demais. Então fez o que toda companhia em aperto faz: chamou um grupo pequeno, ofereceu condições generosas e vendeu o tempo que o caixa não tinha.

Note bem o instrumento escolhido. Nota conversível não é dívida pura nem capital próprio, é uma criatura híbrida que oferece ao credor o melhor dos dois mundos e ao acionista atual o pior dos dois. Se a empresa der certo, o credor converte em ação e diluí quem estava lá antes. Se der errado, o credor cobra a dívida e empurra a companhia para reestruturação. O acionista minoritário, aquele sujeito que comprou ação acreditando na tese, descobre na letra miúda que sua participação encolheu sem que ninguém lhe perguntasse nada. É confisco silencioso, autorizado pelo conselho, aplaudido pelo banker que ganhou a comissão.

Vale seguir a trilha do dinheiro. Quem ganha numa operação dessas? Os subscritores das notas, que travam taxa atrativa e ainda ficam com opção sobre o equity. Os bancos coordenadores, que faturam fee gordo independentemente de a empresa prosperar ou afundar. Os executivos da Vivakor, que ganham mais alguns trimestres de salário e bônus enquanto empurram o problema para frente. E quem perde? O acionista pulverizado, que abriu o jornal hoje e descobriu que a fatia dele no negócio acabou de ser legalmente reduzida pelo simples ato de assinatura de um contrato do qual ele jamais foi parte.

O setor de energia americano, onde a Vivakor opera com logística de petróleo e remediação ambiental, está cheio de empresas pequenas vivendo de captação em captação, dependentes de capital externo porque o fluxo operacional não fecha conta. Isso não é capitalismo saudável, é zumbificação corporativa, viabilizada pelo dinheiro fácil que ainda circula no sistema apesar do aperto monetário recente. Quando o juro real subiu, supunha-se que essas operações secariam. Não secaram completamente, apenas migraram para o canto escuro dos esforços restritos, onde a regulação é mais frouxa e o investidor profissional aceita risco que o varejo nem deveria conhecer.

Há uma lição mais ampla aqui. Décadas de juro artificialmente baixo criaram um exército de empresas que jamais deveriam ter existido em escala, sustentadas por sucessivas rodadas de financiamento que apenas mascararam a falta de geração de valor real. Capital virou commodity barata e foi alocado em projetos que o mercado livre, com juro de verdade, teria rejeitado de saída. Agora que a torneira fechou parcialmente, vemos o que realmente havia por baixo: empresas que sobrevivem na base do remendo financeiro, emitindo papel atrás de papel, diluindo sócio atrás de sócio, até que o último investidor descubra que comprou cadeira em jogo de musica que parou.

Doze milhões parecem pouco para quem lê manchete distraído. Para o acionista da Vivakor, é o sinal de que a empresa, se quisesse continuar viva sem pedir esmola estruturada, não tinha como. Quando uma companhia precisa converter futuro em presente para pagar a conta de hoje, não está investindo no amanhã, está canibalizando o que ainda lhe resta.

Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.