A previsão do tempo disse que Washington vai sentir calor de junho na próxima semana. Isso é tudo. Uma semana quente em meados de abril numa cidade que já registrou temperaturas assim dezenas de vezes na sua história. Mas antes que o termômetro suba, a imprensa estabelecida já estava em posição, câmeras engatilhadas, manchetes prontas, especialistas de plantão para explicar ao americano médio que aquilo que ele está sentindo na pele não é uma tarde quente de primavera, é o colapso da civilização. Nada de novo nessa dança. O roteiro está tão cristalizado que dá para prever o próximo ato com mais precisão do que a própria previsão do tempo.

Existe uma distinção que a narrativa dominante trabalha dia e noite para apagar: a diferença entre tempo e clima. Tempo é o que acontece pela janela. Clima é a média estatística de décadas. Qualquer meteorologista honesto, mesmo os mais alarmistas, sabe que uma semana quente não prova nem refuta nada sobre tendências de longo prazo. Mas a honestidade intelectual nunca foi o produto que a grande mídia vende. O produto é ansiedade. Ansiedade vende assinatura, gera clique, justifica regulação, sustenta orçamento de agência e alimenta conferência internacional em cidade litorânea com champanhe aberto. Siga o dinheiro e você encontra o motivo pelo qual cada onda de calor é catástrofe e cada inverno rigoroso é "variabilidade climática local".

O catastrophismo climático é, acima de tudo, uma ferramenta de poder. Não existe outra justificativa na história para concentrar tanto controle sobre energia, transporte, alimentação e habitação nas mãos de burocracias supranacionais do que o pânico ecológico. Quando você convence uma população de que a sobrevivência da espécie depende de decisões tomadas em Bruxelas ou em Davos, você eliminou o debate democrático sem precisar de um golpe. Fez melhor: fez o povo pedir pela própria tutela. Qualquer tempestade, qualquer seca, qualquer semana quente se torna argumento para mais imposto, mais regulação, mais cessão de soberania. A máquina não para porque a máquina não tem interesse em parar.

Washington quente em abril tem precedentes que qualquer pessoa com acesso a registros históricos pode verificar. A capital americana já registrou ondas de calor precoces em 1910, 1945, 1977 e várias outras décadas sem que ninguém cogitasse o fim do mundo, porque o mundo não estava sendo organizado em torno da narrativa do fim do mundo. O que mudou não foi o clima, foi o ecossistema midiático e político que descobriu no catastrofismo uma fonte inesgotável de legitimidade. Uma narrativa que, por definição, não pode ser falsificada, porque quando o apocalipse não chega, ele foi "adiado pelas medidas tomadas", e quando vem qualquer coisa parecida com o que foi previsto, é "prova irrefutável". Assim se constrói uma ideologia à prova de realidade.

O que está em jogo não é o termômetro de Washington. É a capacidade do cidadão comum de olhar para uma tarde quente de abril e pensar "está calor hoje" sem que essa observação simples seja sequestrada por uma narrativa industrial que já decidiu o que ele deve sentir, o que deve concluir e para quem deve delegar o poder de resolver o problema. A propaganda climática não é sobre o planeta, nunca foi. É sobre quem controla a interpretação da realidade. E quem controla a interpretação controla o que vem depois.

Com informações do ZeroHedge. A análise e opinião são do O Algoz.