Os números do Fundo Monetário Internacional não pedem licença para constranger ninguém. Entre 1980 e 2025, o PIB per capita mundial subiu 675%. O brasileiro, no mesmo período, avançou 428%. Traduzindo para quem ainda acredita em milagre tropical: o país inteiro perdeu o equivalente a 42% de riqueza relativa em quatro décadas e meia. Não é recessão passageira, não é crise cíclica, não é efeito pandemia. É uma trajetória, uma linha contínua, uma sentença assinada por sucessivos governos que prometeram desenvolvimento e entregaram boletim escolar de aluno repetente.

Pergunte a si mesmo, antes de qualquer diagnóstico sofisticado, a pergunta que importa: quem paga e quem recebe nesse arranjo? Paga o sujeito do salário mínimo que vê a gasolina subir, paga o pequeno empresário que sustenta uma carga tributária digna de monarquia absolutista, paga o aposentado cujo poder de compra evapora no caixa do supermercado. Recebe a casta que vive do orçamento, recebe o banqueiro amigo do trono, recebe o industrial que ganhou reserva de mercado em troca de obediência, recebe o sindicato que cobra imposto compulsório para defender ninguém. Estagnação não é falha do sistema. É o sistema funcionando perfeitamente para quem o desenhou.

Repare na estrutura do silogismo elementar. Premissa maior: nações que protegem propriedade privada, abrem mercado e respeitam contratos enriquecem. Premissa menor: o Brasil violou sistematicamente as três coisas, com confisco da poupança, planos heterodoxos, moedas trocadas como roupa íntima, regulação asfixiante e justiça lenta. Conclusão: o Brasil empobreceu relativamente ao mundo. Não há mistério, não há maldição, não há paradoxo. Há apenas a aritmética implacável das consequências, esse pedágio que a realidade cobra dos povos que insistem em acreditar nas próprias fábulas.

Coreia do Sul saía de uma guerra fratricida em 1953 mais pobre que Gana. Hoje fabrica chips, navios e celulares enquanto o brasileiro discute se o Estado deve construir geladeira. Irlanda era a colônia esfomeada da Europa até abrir a economia e cortar imposto sobre capital; virou polo tecnológico do continente. Cingapura, um pântano sem recursos naturais, virou o segundo país mais rico do planeta porque entendeu que liberdade econômica não é luxo ideológico, é condição de sobrevivência. Enquanto isso, o gigante sul-americano se especializou em produzir CPI, plano econômico fracassado e ministério novo, três produtos com inflação garantida e exportação zero.

A propaganda oficial, claro, vai jurar que a culpa é do mercado, do capital estrangeiro, do neoliberalismo, dessa entidade fantasmagórica que nunca aparece no organograma mas é convocada toda vez que precisa explicar fracasso alheio. É o velho truque do batedor de carteira que grita pega ladrão para confundir a multidão. Quem confiscou poupança usou caneta pública. Quem imprimiu inflação usou banco central estatal. Quem criou a maior burocracia tributária do hemisfério usou Congresso, Receita e Supremo. Mercado livre, no Brasil, é como o monstro do Loch Ness: muito citado, jamais avistado.

O resultado dessa engenharia paternalista é um país onde abrir empresa custa meses, demitir custa fortuna, contratar custa medo, investir custa fé cega no humor do legislador da semana. Cada regulação é uma renda capturada por alguém com gravata e gabinete. Cada subsídio é dinheiro retirado do produtivo e entregue ao apadrinhado. Cada ponto de inflação é um imposto silencioso que ninguém votou mas todos pagam. E enquanto a casta brinda em Brasília o sucesso de mais um pacote salvador, o cidadão comum descobre que ficou 42% mais pobre em relação ao vizinho do outro lado do planeta. Quem paga, sabemos. Quem recebe, também. Falta apenas coragem de chamar o arranjo pelo nome correto.

Com informações da Revista Oeste. A análise e opinião são do O Algoz.