Bassam Hussein, professor da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, subiu ao palco de um fórum socialista e descreveu o massacre de 7 de outubro de 2023 como "a coisa mais bela do século". Não foi um lapso etílico em mesa de bar, não foi um tuíte apagado às pressas no dia seguinte, não foi metáfora torta mal interpretada por jornalista preguiçoso. Foi declaração formal, microfone na mão, plateia engajada, câmera ligada. O homem chamou de beleza o estupro coletivo, a decapitação de bebês, a queima de famílias inteiras dentro de casa. E continua dando aula na segunda-feira, com salário em dia, plano de saúde estatal e estabilidade vitalícia garantida pelo contribuinte norueguês.
Aqui começa a parte que ninguém quer encarar de frente: quem paga essa conta? O operário de Oslo que acorda às cinco da manhã para soldar chapa em estaleiro, a enfermeira de Bergen que trabalha em turno duplo no inverno polar, o pescador de Tromsø que enfrenta o Mar do Norte para sustentar três filhos. São esses sujeitos, anônimos e suados, que financiam compulsoriamente o microfone, o palanque, a cátedra e a aposentadoria do cavalheiro especialista em "gestão" que descobriu poesia no esquartejamento de civis. O confisco tributário que se chama imposto vira, no fim da linha, ovação ao Hamas em sala refrigerada. Esse é o arranjo. Não é abuso do sistema, é o sistema funcionando exatamente como foi desenhado.
A universidade pública moderna virou o que sempre tendeu a virar quando o financiamento é coercitivo e o cliente é abstrato: um clube fechado de funcionários blindados, sem prestação de contas real, que cospe na cara de quem os sustenta e ainda exige aumento de verba. Se Hussein dependesse de mensalidade voluntária, de aluno pagante satisfeito, de doador privado disposto a assinar cheque, estaria na fila do seguro-desemprego antes do almoço de terça. Mas como o dinheiro chega pelo cano grosso do Tesouro, blindado por sindicato e por "liberdade de cátedra" entendida como licença para qualquer obscenidade, o homem festeja terrorismo sem sentir um arranhão na conta corrente. Privilégio não se discute, se desmonta.
E reparem na geografia moral do espetáculo: foi num "fórum socialista" que a aclamação rolou solta. Não é coincidência, é silogismo. Quem defende a expropriação como princípio organizador da sociedade, quem trata propriedade privada como roubo e Estado como redentor, naturalmente acaba aplaudindo a versão extrema da própria doutrina, que é a tomada violenta do que pertence ao outro. Do imposto progressivo ao kibutz incendiado vai uma escada de degraus curtos, e quem subiu o primeiro raramente tem coragem de não subir o último. O auditório que bate palma para Hussein hoje é o mesmo que vai exigir, amanhã, lei contra discurso de ódio para calar quem ousar criticá-lo. Sempre foi assim, em Paris no Terror, em Petrogrado em 1917, em Phnom Penh em 1975. A novidade é só o cenário escandinavo e o crachá de doutor.
O detalhe sórdido, aquele que arremata o quadro, é a hipocrisia geográfica do sujeito. Hussein não está pregando o jihad numa madraça em Gaza, sob bombardeio, comendo lentilha racionada. Está numa das sociedades mais ricas, mais seguras, mais ordenadas e mais liberais do planeta, usufruindo de tudo que a civilização ocidental construiu em mil anos de propriedade privada, contratos respeitados e Estado de direito. E desse oásis confortável, custeado por infiéis, ele aplaude a destruição de outro oásis igualmente liberal no Mediterrâneo. A coragem do covarde sempre foi essa: morder a mão que afaga, sabendo que ela não vai bater de volta. Se Israel caísse amanhã, o senhor professor não pegaria um voo para celebrar in loco. Pediria asilo permanente em Trondheim e exigiria aumento de bolsa para "estudar o trauma".
A pergunta que o leitor honesto precisa fazer, e que nenhum reitor terá coragem de responder, é simples: por que o cidadão comum é obrigado, sob pena de cadeia, a sustentar um aparato acadêmico que despreza tudo aquilo que o cidadão comum valoriza? Por que a "autonomia universitária" se tornou um cheque em branco para que funcionários públicos vitalícios usem a tribuna estatal contra o próprio pagador? Cortem o subsídio e vejam quantos professores descobrem, da noite para o dia, que talvez o massacre de civis não seja tão belo assim. O dinheiro é a coleira. Quem segura a ponta manda no latido.
Com informações da Revista Oeste. A análise e opinião são do O Algoz.