O noticiário vende a história como épico de resistência: as turbinas heroicas vencendo o vilão da Casa Branca. A trama, contudo, esconde o personagem principal, aquele que sempre fica fora dos holofotes quando a imprensa cobre energia "limpa", o pagador de imposto americano, o eterno otário que financia o moinho de vento do vizinho enquanto paga a própria conta de luz inflada. O que cresce não é mercado, é dependência. O que avança não é tecnologia, é lobby. E o que a manchete chama de resiliência setorial tem nome técnico bem mais prosaico: créditos fiscais bilionários costurados na lei climática anterior, contratos de longo prazo blindados, mandatos estaduais que obrigam concessionárias a comprar a eletricidade intermitente mesmo quando ninguém precisa dela.

Pergunte ao operador do parque eólico o que aconteceria se, num passe de mágica, o governo federal e os governos estaduais tirassem simultaneamente o pé do acelerador subsidiário. A resposta, ele não dirá em público, mas confessa aos investidores em letras miúdas no prospecto: o negócio simplesmente desmorona. Quem aposta meio bilhão de dólares em hélices gigantescas no meio do Atlântico não está apostando em vento, está apostando em política. O insumo principal da turbina não é a brisa, é o decreto. Por isso a indústria reage com tanto pânico cênico a cada caneta presidencial. Não é luta pelo futuro do planeta, é luta pela próxima parcela da transferência forçada.

A engenharia do esquema é antiga, vestida com roupa nova. Na Holanda do século dezessete, os moinhos eram pagos pelos comerciantes que precisavam moer trigo e bombear água, gente que escolhia voluntariamente a tecnologia porque ela entregava resultado. Hoje, o moinho é pago por quem nunca pediu, nunca votou nele e jamais consumirá um único quilowatt produzido por ele. A diferença entre o mercador holandês e o contribuinte do Texas é justamente esta: o primeiro assinava o contrato, o segundo apanha do leão. Chamem isso de transição energética; o nome correto, no dicionário antigo das coisas como são, é redistribuição compulsória do bolso de muitos para o cofre de poucos bem conectados.

E note a beleza do truque retórico. Quando o atual presidente tenta cortar incentivos, a manchete diz "oposição à energia limpa", como se houvesse oposição moral à física do ar em movimento. Ninguém é contra vento. As pessoas, quando conseguem pensar fora do enquadramento, são contra ser obrigadas a comprar eletricidade cara, intermitente e instável para sustentar um modelo de negócios que sobrevive de canetada. A confusão proposital entre criticar o subsídio e criticar a tecnologia é a arma favorita dos beneficiários do arranjo. Quem aponta a fraude vira inimigo do meio ambiente; quem cobra a fraude, vira herói civilizatório. Cumprimentos ao departamento de marketing, que ganhou o jogo antes da bola rolar.

O dado mais interessante da notícia é o que ela não diz. Não diz quanto custou cada megawatt instalado ao bolso de quem nunca foi consultado. Não diz quanto rendeu, em isenções fiscais, aos fundos de investimento que carregam os papéis dessas empresas. Não diz que os mesmos políticos que defendem a expansão eólica em discurso recebem cheques de campanha das holdings que faturam com ela. Siga o dinheiro e o suposto choque entre Casa Branca e setor verde se revela, na verdade, briga de família por quem fica com a herança maior. Não é guerra ideológica, é divisão de espólio. O cidadão que paga a conta sequer foi convidado para o velório, mas garantirá a missa de sétimo dia com retenção na fonte.

Se o vento é mesmo o futuro, que prove no único tribunal que importa, o do consumidor livre escolhendo voluntariamente comprar essa energia sem ninguém apontando um cano fiscal para sua cabeça. Enquanto isso não acontece, sigamos chamando as coisas pelo nome correto. Não é avanço, é captura. Não é mercado, é favor. Não é resistência heroica, é dependência crônica. E a turbina que gira majestosa na propaganda gira, na verdade, movida pelo combustível mais poderoso já inventado pela humanidade, o trabalho alheio confiscado em nome de uma causa sobre a qual o trabalhador jamais foi ouvido.

Com informações da Poder360. A análise e opinião são do O Algoz.