Vinte e quatro mil ataques em quarenta dias. Façam a conta: são seiscentos ataques por dia, vinte e cinco por hora, um a cada dois minutos e meio, sem parar, durante pouco mais de um mês. Cada míssil de cruzeiro americano custa entre 1,5 e 2 milhões de dólares. Cada sortida de caça, entre 10 e 30 mil dólares por hora de voo. As bombas guiadas de precisão, os drones, os sistemas de supressão de defesas antiaéreas, cada componente desta orquestra tem um preço de tabela que sai do bolso de gente que acorda cedo para trabalhar e nunca votou em nenhuma guerra. O The Times of Israel fez o levantamento com dados das próprias Forças de Defesa de Israel. A transparência sobre o número de ataques foi impecável. A transparência sobre o custo financeiro e humano, como sempre, ficou para depois, ou seja, para nunca.
Há uma distinção fundamental que os comentaristas militares, invariavelmente financiados por think tanks ligados à indústria de defesa, se recusam a fazer: a diferença entre uma guerra declarada por um povo soberano, através de seus representantes legítimos, e uma operação militar decidida por uma casta de burocratas, generais e lobistas em salas fechadas de Washington e Tel Aviv. A primeira tem ao menos a dignidade do consentimento. A segunda é simplesmente violência organizada patrocinada por impostos compulsórios. Quando o Estado extrai riqueza à força de seus cidadãos para financiar bombardeios que nenhum cidadão escolheu, o nome técnico desse processo não é "política de segurança nacional". É redistribuição de renda para o complexo industrial-militar, com destroços no Oriente Médio e medalhas em paradas militares.
Impérios já fizeram isso antes, e o roteiro é monótono de tão repetido. Roma destruía cidades inteiras chamando isso de pacificação. Os britânicos bombardearam o Iraque com gás mostarda nos anos 1920, com Churchill assinando os memorandos sem tirar o charuto da boca. Os franceses arrasaram a Argélia durante décadas com o argumento da civilização. O que muda de século para século não é a estrutura do crime, é o vocabulário que o enfeita. Hoje se diz "operação de precisão cirúrgica", "degradação de capacidades", "supressão de infraestrutura dual-use". O civil morto embaixo dos escombros não sabe distinguir um eufemismo de um míssil. Para ele, o resultado é exatamente o mesmo.
O Irã, evidentemente, não é um regime de santos. Um Estado teocrático que enforça mulheres por não usarem véu, que financia proxies terroristas do Líbano ao Iêmen, que esmaga dissidentes com uma brutalidade que envergonharia até os czares, não merece nenhuma lágrima doutrinária. Mas a crítica ao regime dos aiatolás e a crítica ao método de 24 mil ataques em quarenta dias não são mutuamente exclusivas, e qualquer raciocínio que as trate como tal está cometendo uma falácia de falsa dicotomia que um estudante de lógica básica identificaria em quinze segundos. Destruir um regime tirânico com bombardeios indiscriminados que matam os próprios oprimidos por aquele regime é, do ponto de vista moral e estratégico, uma operação de precisão tão cirúrgica quanto amputar uma cabeça para curar uma enxaqueca.
O que o silêncio da grande imprensa sobre a conta financeira desta guerra revela é algo mais profundo do que negligência jornalística. É a cumplicidade estrutural de uma mídia que nunca pergunta de onde vem o dinheiro quando o dinheiro vai para bombas, mas grita "de onde vem o dinheiro?" quando se trata de escola pública ou hospital. O orçamento de defesa americano para 2025 superou os 886 bilhões de dólares. Isso é mais do que os dez países seguintes juntos gastam em suas forças armadas. Cada dólar desse montante saiu da economia produtiva, do trabalho, da poupança, da iniciativa de alguém, e foi canalizado para uma máquina que seu único produto mensurável são escombros e relatórios de inteligência classificados. Quarenta dias de guerra entre Israel e Irã não foram um acidente histórico nem uma resposta proporcional a uma ameaça específica. Foram o funcionamento normal de um sistema que precisa de conflito para justificar sua própria existência e o fluxo contínuo de verbas que o sustenta.
Os conflitos, nos informam os veículos, estão "em cessar-fogo". Como se "cessar-fogo" fosse o estado natural das coisas e não o intervalo entre o último contrato de fornecimento de armamentos e a assinatura do próximo. As populações civis de Israel e do Irã enterraram seus mortos, contabilizaram seus feridos, olharam para o que sobrou de suas casas e infraestruturas. Os executivos das empresas de defesa contabilizaram os trimestres mais rentáveis em anos. Alguém, em alguma mesa de escritório climatizado em Virgínia ou em Tel Aviv, já está redigindo o relatório de lições aprendidas que servirá de justificativa orçamentária para o próximo ciclo. A guerra acaba para quem estava embaixo das bombas. Para quem as fabrica, ela é apenas o encerramento do exercício fiscal.
Com informações da Revista Oeste. A análise e opinião são do O Algoz.