O Laboratório Spiez, financiado pelo governo suíço e operando há décadas como braço civil de pesquisa em armas biológicas e químicas, acaba de informar a humanidade, com a serenidade de quem comenta o clima, que o hantavírus da cepa Andes consegue se aboletar no sêmen humano por até seis anos depois da infecção original. Seis anos. O sujeito sobrevive à doença pulmonar fulminante que mata um em cada três infectados, agradece aos céus, retoma a vida amorosa, e segue carregando passageiro clandestino que pode transitar de corpo em corpo numa cadeia silenciosa que faria inveja a qualquer programa de espionagem soviético. E a notícia é embrulhada com a delicadeza de um cartão de aniversário, ao lado de oferta de moto elétrica no Mercado Livre por um real e trinta e um centavos. A solenidade da catástrofe convive com o humorismo involuntário do varejo digital, e ninguém estranha.

Convém lembrar de onde sai o dinheiro que paga a conta dessas descobertas tardias. Laboratórios de alta biossegurança são financiados por governos, fundações filantrópicas multibilionárias e consórcios farmacêuticos, exatamente o mesmo tripé que durante a histeria respiratória recente nos vendeu lockdown, passaporte sanitário e injeção experimental com bula reescrita a cada trimestre. O mesmo aparato que insistia que o vírus não vazava de laboratório nenhum, depois admitiu que talvez vazasse, depois decretou que perguntar era teoria da conspiração, depois publicou paper concluindo o que o cidadão comum já desconfiava no segundo mês. A ciência oficial funciona assim: descobre tarde, anuncia mal, lucra cedo.

O detalhe que ninguém comenta é a janela temporal. Se o vírus dorme no organismo por seis anos, significa que durante seis anos a vigilância epidemiológica não tem como rastrear, prevenir ou mesmo informar com honestidade a quem está exposto. Cria-se a infraestrutura perfeita para o próximo pânico planetário, com mapa de transmissão indecifrável, narrativa pronta, demanda por testagem compulsória, e a santíssima trindade do controle social, a saber, registro biométrico, restrição de circulação e injeção obrigatória. O roteiro está datilografado faz tempo, só falta o protagonista entrar em cena. Quem ganha com pandemia é sempre o mesmo bolso, e o bolso é fundo.

Há ainda a parte cômica, no sentido sombrio que o teatro grego ensinou. O hantavírus se transmite originalmente por excremento de roedor, e durante décadas a recomendação foi varrer galpão com máscara e cuidado. Agora descobrem que a coisa também se hospeda no fluido reprodutivo humano por quase uma década, e a recomendação implícita, que ninguém ainda ousou verbalizar mas vem aí, será regular a vida íntima do cidadão sobrevivente. Atestado de pureza viral antes do casamento, certificado sanitário para namorar, talvez aplicativo de relacionamento integrado ao prontuário eletrônico do ministério da saúde. O controle se infiltra pelo lugar mais íntimo, sempre disfarçado de cuidado.

O cidadão lúcido olha para esse cenário e percebe o padrão. Toda nova descoberta convenientemente espantosa vem acompanhada de pedido implícito de mais orçamento, mais autoridade regulatória, mais poder de polícia sanitária, mais subsídio para a indústria que produzirá o antiviral, o teste rápido, a vacina experimental. Quem paga a pesquisa é o contribuinte suíço, europeu, americano e, por extensão indireta via organismos multilaterais, o contribuinte brasileiro. Quem recebe o lucro do remédio que será desenvolvido a partir do achado é uma meia dúzia de empresas listadas em bolsa que distribuirão dividendos para acionistas que jamais pisaram em laboratório. O ciclo é perfeito, e funciona porque ninguém pergunta a coisa óbvia diante de uma manchete assustadora, a saber, quem paga e quem recebe.

Com informações da Gazeta Brasil. A análise e opinião são do O Algoz.