Vinte e três bilhões e seiscentos milhões de dólares. Esse é o tamanho do cheque que o regime chinês assinou em 2025 para erguer concreto, aço e urânio enriquecido em forma de usinas nucleares. Não é discurso em cúpula do clima, não é painel com ativista chorando, não é promessa para 2050 quando quem assinou já estará no necrotério. É obra, betoneira, trabalhador com capacete, cronograma cumprido. Enquanto a Europa fecha reatores alemães em nome da virtude ecológica e importa gás russo pela porta dos fundos, Pequim calcula com régua e transferidor quantos megawatts vai precisar para continuar sendo a fábrica do mundo na próxima década.

Convém olhar para onde a grana está indo antes de ouvir o que os governos dizem. Os discursos ocidentais juram amor eterno à descarbonização, mas o dinheiro público corre para painel solar chinês, turbina eólica chinesa e bateria de lítio chinesa. Traduzindo o arranjo sem a maquiagem das ONGs subsidiadas: o contribuinte europeu e americano paga imposto para financiar a transição energética que, na ponta da cadeia, engorda o orçamento do Partido Comunista Chinês. A mão visível que toma seu salário via tributo é a mesma que entrega, de bandeja, a hegemonia industrial a quem nunca acreditou no conto do aquecimento catastrófico para consumo interno.

A lógica é brutal na sua simplicidade. Se energia é o sangue da civilização industrial, quem controla a geração controla a produção. Se a produção está concentrada em um território, esse território manda no mundo. A conclusão não exige doutorado em Princeton, exige honestidade intelectual. Os chineses entenderam que reator nuclear gera eletricidade barata, densa, constante, independente de nuvem passageira ou calmaria de vento. Os ocidentais entenderam que reator nuclear gera protesto de estudante universitário com cabelo colorido. Cada um investiu no que entendeu.

Vale lembrar que a França dos anos setenta, trucidada pelo choque do petróleo árabe, respondeu construindo cinquenta e seis reatores em tempo recorde e virou exportadora líquida de eletricidade por décadas. Aquilo foi possível porque ainda existia uma elite técnica que sabia diferenciar física de misticismo. Hoje, a mesma França fecha usinas sob pressão verde e importa energia alemã feita de carvão polonês. O retrocesso não é acidente, é política deliberada, é a vitória de um lobby que vive de subsídio e precisa que a solução nunca chegue para o contracheque nunca parar.

Quem paga essa festa do atraso? O consumidor que vê a conta de luz triplicar, a indústria que migra para a Ásia, o trabalhador europeu que perde emprego para concorrente chinês operando com energia três vezes mais barata. Quem recebe? A burocracia verde, os fundos de investimento ESG, os fabricantes de painel solar em Xinjiang, os consultores que vivem de vender planilha de crédito de carbono. É um esquema elegante, quase artístico na sua crueldade: transfere renda do pobre trabalhador ocidental para o oligarca asiático, tudo em nome da salvação do planeta. Se fosse roubo de banco, pegava pena mínima de quinze anos. Como é política pública, ganha prêmio Nobel da paz.

Em 2030, quando a China ultrapassar os Estados Unidos como maior produtora nuclear do mundo, ninguém poderá dizer que foi surpresa. Estava no orçamento, no cronograma, no noticiário. A única surpresa será o espanto fingido dos mesmos que passaram vinte anos sabotando a própria infraestrutura em nome de uma fé que confunde moinho de vento com redenção moral. O átomo não pede licença à opinião pública para funcionar. Funciona ou não funciona. E funciona melhor para quem o constrói do que para quem o abomina.

Com informações da Poder360. A análise e opinião são do O Algoz.