O fato, nu e cru: no domingo, 12 de abril, a Federação Brasil da Esperança, aquela simpática aliança entre PT, PV e PC do B, apresentou representação ao Tribunal Superior Eleitoral contra a ByteDance, dona do TikTok. O crime hediondo que motivou tamanha mobilização do aparato jurídico-eleitoral? Vídeos de petistas sendo "exorcizados". Isso mesmo. Um perfil chamado "RehVerse" produziu conteúdo de humor, sátira, deboche, aquilo que em qualquer civilização adulta se chama liberdade de expressão, e o maior partido do Brasil decidiu que isso era caso de tribunal. Não respondeu com humor. Não respondeu com argumentos. Respondeu com processo. É o reflexo pavloviano de quem passou décadas confundindo governo com nação e crítica com crime.

Vamos seguir o dinheiro, porque ele nunca mente. O PT e seus aliados recebem, juntos, centenas de milhões do Fundo Eleitoral, dinheiro que sai do bolso de cada brasileiro que paga imposto, inclusive daquele que fez o vídeo de humor. O partido tem assessoria jurídica permanente, bancada de advogados, acesso direto ao TSE, estrutura que nenhum cidadão comum poderia sonhar em mobilizar. E todo esse aparato, financiado pelo pagador de impostos, é acionado contra um sujeito com uma conta no TikTok. É o Golias pedindo proteção judicial contra a funda do Davi. O recurso público que deveria, em tese, servir ao processo democrático, é convertido em instrumento de intimidação contra a sátira popular. Quem paga? Você. Quem se beneficia? O partido que quer operar sem ser ridicularizado.

O pedido ao TSE exige que a ByteDance forneça os dados do perfil. Leia de novo: forneça os dados. Não estamos falando de apagar um vídeo, que já seria abusivo. Estamos falando de identificar quem está por trás da conta. Entregar nome, CPF, endereço, a identidade completa de um cidadão cuja ofensa foi fazer graça. Quando o Estado, ou quem dele se serve, exige a identificação pessoal de quem o satiriza, não estamos mais no campo da disputa eleitoral. Estamos no campo da intimidação pura. É o mecanismo mais antigo do poder: não preciso prender todo mundo, basta prender um para que os outros se calem. A mensagem não é para o dono do perfil. A mensagem é para os próximos dez mil que pensariam em fazer o mesmo.

A ironia mais deliciosa é que o mesmo campo político que se apresenta como defensor da democracia, da diversidade e das liberdades recorre ao tribunal toda vez que a liberdade se volta contra ele. Democracia, para essa gente, é o sistema onde você pode dizer qualquer coisa, desde que qualquer coisa signifique elogios ao projeto de poder. É a velha história: todo autoritário se diz democrata até que o primeiro cartunista o desenhe com orelhas de burro. Os regimes mais censores da história sempre começaram pela piada. Ninguém inaugura censura proibindo tratados filosóficos; começa-se pelo humor, porque o humor é a linguagem que o povo entende, e é exatamente por isso que o poder não o tolera. O riso é incontrolável, e quem busca controle total não pode admitir nem sequer a gargalhada.

O que esse episódio revela, para quem tem olhos de ver, é a natureza profunda da relação entre o partido e a sociedade. Não é uma relação de representação. É uma relação de tutela. O cidadão deve votar, pagar impostos, financiar o fundo partidário e, acima de tudo, calar a boca. Se ousar rir, será processado. Se ousar satirizar, será identificado. Se ousar questionar, será enquadrado como propagador de desinformação, esse conceito elástico que sempre se estica para caber exatamente aquilo que incomoda quem está no poder. A pergunta com a qual começamos é a mesma com que terminamos, porque em política a resposta nunca muda: quem paga a conta da perseguição ao humor é o contribuinte brasileiro; quem recebe o benefício é o partido que quer governar sem ser importunado pela opinião dos governados.

Com informações da Revista Oeste. A análise e opinião são do O Algoz.