As urnas fecharam na Hungria com uma participação que não se via desde que o país existe como república soberana. Isso, por si só, deveria ser celebrado por qualquer pessoa que acredita genuinamente no governo pelo consentimento dos governados. Não é o que acontece. O que se vê, nos grandes veículos e nos pronunciamentos de Bruxelas, é uma ansiedade mal disfarçada, um torcer pela derrota de Viktor Orbán que começou muito antes da campanha e que não tem nada a ver com amor pela democracia húngara. Tem a ver com a Hungria ter dito não onde era esperado que dissesse sim, e repetidamente.

Péter Magyar apareceu do nada, como costumam aparecer esses candidatos que o establishment chama de "nova esperança". O padrão é antigo e quase tedioso de tão previsível: figura carismática sem histórico de governo real, financiada por uma rede de organizações que usam palavras como "sociedade civil" e "transparência" enquanto operam com dinheiro de origem opaca e agenda claramente transnacional. Não é teoria conspiratória, é contabilidade. Quando se segue o rastro do financiamento dessas organizações que "apoiam a democracia" na Hungria, chega-se invariavelmente a fundações com sede em Bruxelas ou em Nova York, cujos doadores têm interesse direto em que determinados países se alinhem a determinadas políticas econômicas e migratórias. O dinheiro não tem pátria, mas tem destino.

Orbán é um homem de muitas virtudes e alguns vícios políticos, como qualquer governante que efetivamente governa por mais de uma década. Mas o ódio que ele inspira no establishment europeu não vem de seus defeitos. Vem de suas recusas. Recusou as cotas de imigração impostas por Bruxelas. Recusou financiar a guerra na Ucrânia com o entusiasmo exigido. Recusou desmantelar a identidade cristã da constituição húngara para satisfazer uma agenda cultural que sequer tem maioria nos países que a promovem. Em política, como em física, a resistência gera calor. E o calor que Orbán gerou em Bruxelas é termômetro preciso de quanta soberania ele efetivamente preservou.

Existe uma contradição lógica que os arautos da "democracia liberal" nunca conseguem resolver, porque resolver significaria admitir demais. Eles dizem que querem que os povos decidam livremente. Mas quando o povo decide de forma que contraria o projeto globalizante, a decisão passa a ser chamada de populismo, de ameaça ao Estado de Direito, de retrocesso. A Hungria já foi processada pela Comissão Europeia, já teve fundos bloqueados, já foi humilhada em plenárias com discursos que soariam fascistas se fossem dirigidos a qualquer país com a narrativa correta. Tudo isso porque um eleitorado soberano, em eleições livres e verificáveis, escolheu um governante que não obedece aos acordos tácitos do clube. Isso não é defesa da democracia. É colonialismo burocrático com sotaque progressista.

Se Magyar vencer, veremos um alinhamento imediato com Bruxelas, liberação dos fundos europeus congelados, elogios efusivos da imprensa ocidental e a Hungria reabsorvida pacificamente no consenso que Orbán perturbou. Se Orbán vencer, veremos novas sanções, novos processos, novos artigos sobre "o autoritarismo no coração da Europa". O resultado eleitoral já não é o ponto central da história. O ponto central é que a Hungria se tornou o teste de pressão de um conflito que não é entre democracia e autoritarismo, mas entre soberania nacional e governança supranacional. E esse conflito vai muito além de Budapeste. Acontece que os húngaros tiveram a insolência de colocá-lo em voto, com a maior participação da história. Isso, pelo menos, ninguém pode tirar deles.

Com informações do Poder360. A análise e opinião são do O Algoz.