A Group 1 Automotive, gigante norte-americana do varejo automotivo, está apanhando feio na operação britânica, e os analistas de banco fazem aquela cara compenetrada típica de quem precisa explicar o óbvio sem dizer a verdade. Montaram uma análise SWOT bonitinha, com forças, fraquezas, oportunidades e ameaças, mas a ameaça que importa eles não ousam escrever no relatório: o Reino Unido virou um cemitério de capital produtivo, e ninguém quer ser o primeiro a apontar o caixão.

Olha, a história é sempre a mesma. Empresa americana atravessa o oceano achando que vai encontrar o mercado livre que Margaret Thatcher deixou de herança, e tropeça num emaranhado de regulação verde, zoneamento delirante, impostos sobre combustíveis, mandatos de eletrificação acelerada e um consumidor estrangulado pela inflação que o próprio Banco da Inglaterra fabricou imprimindo libras como quem produz papel higiênico. Vender carro num país onde o governo decidiu que carro é pecado original tem lá suas dificuldades, quer dizer.

Me diz uma coisa, quem ganha com essa demolição programada do mercado automotivo britânico? Não é o consumidor, que paga mais caro por menos opção. Não é o trabalhador da concessionária, que vê margem sumindo. Não é o acionista da Group 1, que assiste o papel derreter. Os beneficiários são os fabricantes subsidiados de elétricos, as ONGs ambientais com orçamento de banco central, os consultores de transição energética e a casta burocrática de Bruxelas e Westminster que precisa justificar seu salário inventando regra nova toda quarta-feira. Siga o dinheiro e você encontra sempre os mesmos suspeitos, devidamente fardados de virtude.

O que se vê é a queda das ações da Group 1. O que não se vê são as centenas de pequenas concessionárias britânicas que já fecharam silenciosamente nos últimos cinco anos, os empregos que nunca foram criados porque o capital fugiu para jurisdições menos hostis, os modelos populares que deixaram de ser fabricados porque não atendem ao mandato verde, e a classe média inglesa que agora anda de ônibus público porque o sonho do carro próprio virou luxo regulado. Cada libra de prejuízo da Group 1 é só a ponta visível de um iceberg de destruição econômica encomendada por decreto.

E note a ironia histórica, a nação que inventou a Revolução Industrial, que ensinou ao mundo o que é mercado, que produziu Rolls Royce, Jaguar, Aston Martin e Mini Cooper, agora importa metas climáticas de burocratas que nunca dirigiram um parafuso sequer. O império que dominou os mares por causa da liberdade comercial agora afunda na própria poça de subsídios cruzados e contrasenhas regulatórias. Roma também não caiu de uma vez, foi se desmanchando sob o peso de impostos, decretos e um senado convencido de que sabia governar a vida dos cidadãos melhor que eles mesmos.

A lição que a Group 1 está pagando para aprender, e que algum dia chegará à mesa do conselho da empresa, é que não existe estratégia corporativa capaz de vencer um governo determinado a destruir seu próprio mercado interno. Pode contratar o melhor CEO, otimizar a logística, treinar vendedor, reformar showroom, que adianta? Quando o Estado decide que seu produto é o inimigo, sua margem é só uma questão de tempo. Capital não é covarde, capital é inteligente, e ele sempre encontra a porta de saída antes do incêndio chegar à sala.

Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.