Existe uma superstição confortável entre os formadores de opinião das redações tradicionais: a de que o brasileiro médio não se interessa por teoria econômica, não distingue política monetária de política fiscal e, portanto, deve ser nutrido com narrativa mastigada e ideologia embrulhada em jornalismo. O Instituto Liberal publica há décadas desmentindo esta premissa, e quando o programa de maior alcance da casa chega ao episódio 306 com os sete artigos mais acessados da semana, o recado implícito é desconfortável para quem vive da infantilização do público: as pessoas estão procurando. Estão buscando ativamente o que as redações se recusam a oferecer.

O mecanismo é mais honesto do que parece. Quando você mede o que uma audiência consome voluntariamente, sem pauta obrigatória, sem algoritmo de plataforma estatal e sem subsídio de fomento cultural, o que aparece é preferência real. Não o que o leitor deveria querer segundo o conselho editorial de um jornal que sobrevive de publicidade governamental, mas o que ele efetivamente escolhe quando ninguém está forçando. Quer dizer, o mercado das ideias funciona exatamente como o mercado de qualquer outra coisa: quem oferece o que as pessoas querem, cresce. Quem oferece o que os planejadores acham que as pessoas deveriam querer, depende de financiamento compulsório para sobreviver.

Lucas Berlanza não é um fenômeno isolado. É sintoma de um movimento mais amplo que a intelligentsia progressista demorou décadas para perceber e ainda não digere bem: a disputa pelo pensamento econômico saiu das universidades e foi para o podcast, para o artigo de quatro parágrafos, para o comentário que cabe no tempo de um percurso de metrô. A ideia de que liberdade econômica e liberdade política são a mesma coisa dita de formas diferentes não precisa mais de um tratado em latim para circular. Ela precisa de clareza, coragem e ausência de eufemismo. Olha, quem entendeu isso antes continua crescendo enquanto os demais explicam por que estão encolhendo.

O que os sete artigos mais populares de qualquer semana do Instituto Liberal têm em comum não é o tema específico, é a operação intelectual. Eles partem do fato concreto, seguem o dinheiro, identificam quem paga e quem recebe, e recusam a fábula do bem público desinteressado. Toda intervenção estatal tem um beneficiário específico com nome e endereço, e toda conta tem um pagador com salário e família. A diferença entre jornalismo econômico honesto e o que se pratica nos grandes veículos é que o primeiro mostra os dois lados da equação. O segundo mostra só o lado que fotografa bem na cerimônia de inauguração.

Me diz uma coisa: o que significa chegar ao episódio 306 de um programa semanal sem verba de patrocínio estatal, sem cobertura obsequiosa da imprensa estabelecida e sem a bênção dos departamentos de ciências humanas das universidades públicas? Significa que o produto é bom o suficiente para que as pessoas voltem por conta própria. Em economia, isso tem nome técnico: preferência revelada. E preferência revelada é o único tipo de dado que não pode ser falsificado por pesquisa de opinião, cooptado por narrativa ou reinterpretado por especialista de plantão. As pessoas escolhem com os pés, com o clique, com o tempo que doam livremente, e esse é o único voto que o mercado conta sem fraude.

A batalha decisiva de qualquer época não acontece nos parlamentos nem nas urnas. Acontece antes, no terreno onde as premissas são formadas, onde as perguntas são formuladas e onde se decide o que é sequer pensável de se dizer em público. O Instituto Liberal entendeu isso antes da maioria. Quando um programa chega ao episódio 306 e o público continua escolhendo os artigos que incomodam o poder, a conclusão é simples e inescapável: a realidade tem mais paciência do que a censura.

Com informações da Instituto Liberal. A análise e opinião são do O Algoz.