Prometeram simplificação. Entregaram três siglas novas, um comitê gestor com orçamento de país nórdico, um split payment que transforma cada venda em confissão de dívida em tempo real, e um Imposto Seletivo tão elástico que amanhã vai incidir sobre respirar fundo demais. A padaria da esquina, que sobreviveu à pandemia, ao apagão logístico e à conta de luz, agora precisa de um contador exclusivo para vender coxinha. O pastel virou um evento fiscal.

É sempre a mesma liturgia: em nome da eficiência, criam-se três impostos onde havia cinco, e ninguém repara que a carga total só sobe. Follow the money: quem ganha com a reforma não é o consumidor, não é o comerciante, não é o trabalhador que vê a nota de duzentos derreter na fila. Quem ganha é a máquina que precisa de mais tributo para pagar mais burocrata para fiscalizar mais tributo. Um moto-perpétuo alimentado a suor alheio.

E o cidadão? Recebe o folheto colorido dizendo que agora é tudo mais fácil, enquanto assina a maquininha que já reteve o imposto antes mesmo do troco existir. A Besta não precisa mais arrombar o cofre: ela mora dentro dele, e cobra aluguel.

A análise e opinião são do O Algoz.