O ano de 2026 começou e o Leviatã nacional continua fiel ao único programa que jamais descumpriu: arrecadar mais do que no ano anterior. Enquanto a reforma tributária promete simplificar a vida do contribuinte com uma sopa de letrinhas que exige três contadores e um pajé para interpretar, novas contribuições brotam do solo como cogumelos depois da chuva. Cada uma delas vem embalada no mesmo discurso: é temporária, é progressiva, é pelo bem comum. Tradução livre: é eterna, atinge quem produz, e o bem é exclusivamente da casta que vive do orçamento.
Siga o dinheiro e a mágica se desfaz. O que entra como "justiça social" sai como cargo comissionado, diária de viagem internacional, emenda sem rastreabilidade e salvamento de banco amigo. O cidadão que acorda às cinco da manhã para pegar dois ônibus financia o motorista oficial do assessor do subsecretário adjunto. E ainda recebe de volta um panfleto dizendo que o governo cuida dele. Cuida mesmo. Como o fazendeiro cuida da vaca leiteira: até o dia em que ela para de dar leite.
A piada da taxa sobre o ar não é tão absurda quanto parece. Já tributam a luz do sol via conta de energia, a água da chuva via saneamento, o pão de cada dia via quinze impostos empilhados. Falta pouco para o oxigênio virar fato gerador. E quando faltar, inventam. A única defesa do contribuinte continua sendo a mesma de sempre: produzir apesar do Estado, prosperar apesar do Estado, e lembrar todo santo dia que o dinheiro que ele arranca à força não é dele, é nosso. A análise e opinião são do O Algoz.
